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19/06/2017 10h00 | Atualizado em 06/05/2023 16h31

NOVOS ELEITORES: O que os jovens que votarão pela primeira vez pensam da política no país?

NOVOS ELEITORES: O que os jovens que votarão pela primeira vez pensam da política no país?

NOVOS ELEITORES: O que os jovens que votarão pela primeira vez pensam da política no país? Foto: Reprodução
Da Redação

O cenário político caótico em que o Brasil se encontra, marcado por delações, esquemas de corrupção, lavagens de dinheiro, prisões de políticos importantes, contribuem para o aumento da expectativa para as próximas eleições. Os desdobramentos do contexto atual também revelam dois lados importantes sobre o futuro político do Brasil.

O primeiro é o desejo de mudança da maioria dos cidadãos, movido pela quantidade de escândalos envolvendo o poder público brasileiro, que coloca em evidência o fracasso do sistema atual. O segundo é a descrença nos dispositivos estatais de governabilidade por uma outra parte da população brasileira que não acredita em uma ruptura do sistema político do país. Esse tipo de insatisfação e o sentimento de não-representatividade incide diretamente nos resultados das eleições.

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De acordo com Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2016, o número de abstenções – eleitores que não compareceram às urnas durante as eleições -, somado aos votos brancos e nulos, foi de aproximadamente 10,7 milhões de pessoas. Essa fatia representa mais de 30% do número de eleitores aptos para votar.

NOVOS ELEITORES:  

No meio desse fogo cruzado que se tornou a política no Brasil, os novos eleitores – perfil que abarca os jovens entre 16 e 19 anos -, se configuram como os principais representantes do movimento que pede uma nova política para o Brasil. No entanto, mesmo com a pouca idade, o cenário político desgastado também desmotiva parte desse novo eleitorado.

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Para o estudante Carlos Sobrinho, de 19 anos, que vai votar pela primeira vez nas Eleições de 2018, o impeachment da presidente Dilma Rousseff e todos as denúncias envolvendo o uso indevido de dinheiro público colaboram para o desânimo de parte da população em ir para às urnas no ano que vem. “Eu não tenho expectativas em relação as eleições de 2018, pois está tudo muito incerto, com esse cenário atual e tudo que está acontecendo no Brasil. Ainda mais após o impeachment, se tornou tudo incerto. Então eu não crio expectativas”, relata.

Quem também avalia o quadro político de maneira negativa para a sua primeira votação é a estudante de 17 anos, Lilian Silva. “Pelos supostos candidatos e a condição atual do país, não tenho expectativa nenhuma. Infelizmente a situação presente e possivelmente futura, reduz qualquer expectativa de mudança, ainda que alguns candidatos acreditem ter um diferencial dos atuais”, afirma a jovem.

Dos 144 milhões de eleitores existentes no país, o número de jovens que vão votar pela primeira vez, ou em idade entre 16 e 17 anos, em que o voto é facultativo, representa apenas 5% desse número total. A desconfiança nos políticos do país devido aos episódios constantes de corrupção é uma realidade em todas as faixas etárias, apesar do número dos votantes acima dos 70 anos, que também não são mais obrigados a votar, ser mais de 2% superior ao dos “eleitores debutantes”.

Segundo Nelson Pretto, professor titular da Faculdade de Educação da Ufba, a descrença – não só da juventude – em relação ao futuro do país nas urnas são reações do momento dramático em que o Brasil passa, e a falta de confiança, não só nos políticos, que sempre foi uma categoria questionável, mas nos três poderes do Estado é um alerta. “A grande lição que a gente tem que ter é que nós não podemos nos desmobilizar. Jovens ou velhos, o grande problema é a falta de mobilização, ou seja, é redes [sociais] e ruas ao mesmo tempo sempre. Não importa que partido ou linha de governo esteja no poder. É fundamental que todos participem e fiscalizem”, adverte o professor.

VOTO CONSCIENTE

NOVOS ELEITORES: O que os jovens que votarão pela primeira vez em 2018 pensam da política no país?

“O que está acontecendo é que essas juventudes estão se formando, informando e atuando no calor do próprio processo, ‘na marra’”, Nelson Pretto.

Apesar da apatia coletiva e da falta de expectativa de boa parte do eleitor jovem com as eleições do ano que vem, o estudante de 16 anos, Germano Queiroz, se sente entusiasmado em poder contribuir com a melhoria do país através do seu voto. “É trágico dizer que o cenário político está cada vez mais negligente, porém minha maior expectativa é saber que vou contribuir para uma mudança que nos ofereça melhoria. Me sinto motivado por poder fazer parte das eleições, escolher um líder para o nosso país e desmotivado pelo fato de não ter nenhum candidato a altura das minhas expectativas”, afirma o estudante.

Mesmo com a incredulidade no sistema político, os novos eleitores tem a consciência do poder do voto como principal meio para realização de reformas significativas dentro da sociedade.  “Preciso fazer com que de certa forma o cenário político mude, para isso precisamos que a sociedade esteja ali votando e eu faço parte da sociedade, preciso votar. Meu voto é importante, mas não faz toda a diferença, para se fazer a diferença precisa de que a maioria das pessoas tomem consciência e votem nas pessoas certas”, ressalta o estudante Carlos Sobrinho.

Outros meios de alertar os jovens para importância do papel na hora da votação são as redes sociais e as escolas. Para Nelson Pretto, ambos são fundamentais para a formação de eleitores conscientes do seu papel. “As redes sociais tem possibilitado de um lado, uma multiplicidade de informações. Para que seja possível uma leitura mais consistente destas informações que circulam nas redes, é necessário ter um sistema educacional que de fato forme esses cidadãos de forma mais consistente. O que infelizmente nós não estamos vendo! O que está acontecendo é que essas juventudes estão se formando, informando e atuando no calor do próprio processo, ‘na marra’”, pontua.

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Fonte: Pablo Santana