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Quem é Milla? Personagem de música de Netinho existiu de verdade e viveu romance com compositor

A música “Milla”, um dos maiores sucessos da carreira do cantor Netinho, foi inspirada em uma história de amor real

Por Bruna Castelo Branco.

A música “Milla”, um dos maiores sucessos da carreira do cantor Netinho, que morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, foi inspirada em uma história de amor real. A revelação foi feita pelo compositor Manno Góes em entrevista ao Fantástico, em 2015. Segundo ele, a canção nasceu de um romance vivido durante os verões que passou em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, na Bahia.

Manno contou que frequentava a localidade nos verões de 1986 e 1987. Na época, o cenário era marcado por um farol que permanecia apagado, um cais e um moinho abandonado. Foi nesse ambiente que ele conheceu a mulher que inspiraria uma das músicas mais conhecidas do axé music.

A música Milla, um dos maiores sucessos da carreira do cantor Netinho, foi inspirada em uma história de amor real. | Foto: Redes Sociais

Na entrevista, o compositor descreveu Milla como uma mulher baixinha, com covinhas, alegre e que gostava de escrever poesias. Os dois viveram um relacionamento por cerca de três meses, até que ela precisou se mudar para Recife, em Pernambuco.

O romance chegou ao fim, mas a história teve um reencontro inesperado anos depois. Milla voltou para Salvador e, por coincidência, passou a morar no mesmo prédio em que Manno Góes vivia.

O episódio foi associado pelo próprio compositor a um dos versos mais conhecidos da canção: “O destino te mandou de volta, para o meu cais”.

Apesar do reencontro, os dois já haviam seguido caminhos diferentes. Segundo Manno, naquele momento, ambos estavam casados e tinham filhos. Milla, que inspirou a composição, manteve uma vida longe dos holofotes.

“Milla existiu realmente. Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata”.

A história vivida por Manno Góes ganhou projeção nacional na voz de Netinho. | Foto: Caio Lírio

História de amor virou sucesso na voz de Netinho

A história vivida por Manno Góes ganhou projeção nacional na voz de Netinho, cantor baiano que se tornou um dos principais nomes do axé music, primeiro como vocalista da Banda Beijo e, posteriormente, em carreira solo.

Lançada no álbum Netinho ao Vivo!, de 1996, “Milla” se consolidou como o maior sucesso da carreira solo do artista. O disco vendeu mais de 1 milhão de cópias no Brasil.

A repercussão também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em Portugal, a música permaneceu por dez semanas na primeira posição das paradas. O álbum chegou à segunda colocação entre os mais vendidos de 1998 no país.

Ao longo dos anos, “Milla” ganhou versões em seis idiomas e passou a integrar o repertório de festas e celebrações, sendo reconhecida por diferentes gerações.

Por que “Milla” marcou gerações?

Além do ritmo característico do axé music, a narrativa de “Milla” contribuiu para a identificação do público com a canção. A história de um amor marcante, da separação e de um possível reencontro reúne experiências com as quais diferentes pessoas podem se identificar.

A letra também preserva referências ao cenário que inspirou a composição, como o cais de Mar Grande e o retorno da mulher que marcou a vida do compositor.

Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. | Foto: Redes Sociais

A história real, porém, seguiu um caminho diferente daquele que a música eternizou. Segundo Manno Góes, Milla se casou, teve filhos e ficou bem.

O relacionamento durou cerca de três meses, mas a lembrança daquele verão permaneceu na composição que, interpretada por Netinho, atravessou gerações e se tornou um dos símbolos do axé music.

Trajetória de Netinho

O cantor e compositor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. Natural de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, o artista construiu uma carreira marcada por sucessos que atravessaram gerações e ajudaram a levar a música baiana para diferentes regiões do Brasil e do mundo.

Dono de uma voz conhecida pelo público e de uma trajetória diretamente ligada à expansão do axé music, Netinho ganhou projeção nacional como vocalista da Banda Beijo, no fim da década de 1980. Ao longo dos anos, tornou-se um dos nomes associados à energia dos trios elétricos, às micaretas e às grandes festas populares.

A trajetória do artista também foi marcada por desafios de saúde. Em março de 2025, ele revelou ter sido diagnosticado com um câncer no sistema linfático. Durante o tratamento, passou a compartilhar relatos frequentes nas redes sociais, mostrando etapas da recuperação e mantendo contato com os fãs.

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