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Cantor Netinho morre aos 60 anos após luta contra o câncer

Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático

Por Da redação.

O cantor e compositor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. Natural de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, o artista construiu uma carreira marcada por sucessos que atravessaram gerações e ajudaram a levar a música baiana para diferentes regiões do Brasil e do mundo.

Dono de uma voz conhecida pelo público e de uma trajetória diretamente ligada à expansão do axé music, Netinho ganhou projeção nacional como vocalista da Banda Beijo, no fim da década de 1980. Ao longo dos anos, tornou-se um dos nomes associados à energia dos trios elétricos, às micaretas e às grandes festas populares.

Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, após lutar contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. | Foto: Redes Sociais

A trajetória do artista também foi marcada por desafios de saúde. Em março de 2025, ele revelou ter sido diagnosticado com um câncer no sistema linfático. Durante o tratamento, passou a compartilhar relatos frequentes nas redes sociais, mostrando etapas da recuperação e mantendo contato com os fãs.

Veja publicação da equipe do cantor:

Em 2025, a doença entrou em remissão. No entanto, em maio de 2026, o cantor informou que o câncer havia retornado de forma mais agressiva. Em 30 de setembro, sua equipe de comunicação anunciou que ele estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, após a volta do linfoma não Hodgkin.

Na ocasião, a equipe informou que o artista havia decidido se afastar temporariamente das redes sociais para concentrar suas energias no tratamento e na recuperação.

Natural de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo da Bahia, o artista construiu uma carreira marcada por sucessos. | Foto: Redes Sociais

Do interior da Bahia para os grandes palcos

Nascido em 12 de julho de 1966, Ernesto de Souza Andrade Júnior adotou o nome artístico Netinho e iniciou a carreira musical em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo.

A estreia no circuito do Carnaval baiano aconteceu no mesmo período em que o grupo começava a conquistar espaço no cenário musical. Com a canção Beijo na Boca, a banda alcançou as rádios de diferentes partes do país e ampliou a presença do axé music no mercado nacional.

O sucesso abriu portas para novas apresentações e participações na televisão. Netinho se tornou um dos primeiros artistas do axé a se apresentar no programa Domingão do Faustão, ampliando a visibilidade do gênero para além da Bahia.

A ascensão da Banda Beijo também foi marcada por apresentações de grande porte em Salvador. Em 1990, o lançamento de um dos discos do grupo reuniu cerca de 40 mil pessoas no estacionamento e nas ruas próximas ao Shopping Barra, demonstrando a dimensão que a música baiana começava a alcançar.

A ascensão da Banda Beijo também foi marcada por apresentações de grande porte em Salvador. | Foto: Redes Sociais

A trajetória de Netinho também se confunde com a expansão do Carnaval baiano. Em 1990, durante a Copa do Mundo realizada na Itália, o cantor protagonizou uma iniciativa inédita ao levar um trio elétrico para fora do Brasil. O equipamento atravessou o oceano de navio e chegou ao país europeu após uma viagem de aproximadamente dois meses, levando a festa baiana aos torcedores.

Dois anos depois, em 1992, Netinho também entrou para a história ao desfilar com um trio elétrico na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em um marco da presença desse formato de apresentação fora da Bahia.

Além de cantar, o artista passou a dirigir os próprios espetáculos e a atuar no empresariamento de blocos e trios elétricos. A experiência nos bastidores ampliou sua participação na organização do Carnaval, uma das principais manifestações culturais e econômicas da Bahia.

Desafios pessoais e de saúde

Em abril de 2013, Netinho enfrentou um dos períodos mais delicados de sua vida. O cantor foi internado após apresentar uma hemorragia no fígado, identificada depois de uma biópsia. Posteriormente, recebeu o diagnóstico de adenomas hepáticos, associados ao uso de esteroides anabolizantes, segundo informações divulgadas sobre o caso.

O quadro clínico exigiu cuidados intensivos e foi agravado por uma série de acidentes vasculares cerebrais. O episódio afastou o artista dos palcos durante um período de recuperação e se tornou um dos momentos mais difíceis de sua trajetória.

Mais de uma década depois, o cantor voltou a enfrentar um grave problema de saúde com o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, em 2025. Desde então, compartilhou com os fãs diferentes etapas do tratamento, incluindo períodos de melhora e a notícia de que a doença havia entrado em remissão.

A nova internação, anunciada em setembro, marcou mais um capítulo da luta do artista contra a doença. | Foto: Redes Sociais

Em maio de 2026, porém, Netinho revelou que o câncer havia retornado. Na ocasião, demonstrou disposição para enfrentar novamente o tratamento e afirmou que pretendia dividir a experiência com o público, como havia feito anteriormente.

“Com toda positividade, alegria, mostrando para todo mundo como é que a gente vence as dificuldades. Cabeça erguida”, declarou.

A nova internação, anunciada em setembro, marcou mais um capítulo da luta do artista contra a doença.

Vida pessoal e outros caminhos

Fora dos palcos, Netinho também teve experiências que marcaram sua vida pessoal. Entre 1997 e 2003, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna, nascida em 2000.

Em 2008, o cantor falou publicamente sobre sua bissexualidade. Anos depois, em 2017, declarou ter adotado o veganismo.

Na política, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2022, na Bahia, filiado ao Partido Liberal (PL). Com o nome de urna Netinho da Bahia, recebeu 31.448 votos, mas não foi eleito.

Legado na música baiana

A trajetória de Netinho acompanhou diferentes fases do axé music, desde a expansão do gênero nas rádios brasileiras até a consolidação do Carnaval de Salvador como uma das maiores festas populares do país.

Foto: Redes Sociais

Sua história reuniu música, apresentações de grande porte e iniciativas que ajudaram a levar o trio elétrico para além das fronteiras baianas. Ao longo de décadas, o artista construiu uma relação com o público que ultrapassou os limites dos discos e dos shows, especialmente entre os foliões que encontraram em suas canções a trilha sonora de diferentes Carnavais.

Com sua morte, a música baiana perde um artista cuja carreira esteve ligada à projeção nacional do axé e à força cultural do Carnaval de Salvador.

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