Volkswagen é condenada a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo

O MPT alega que empresa se beneficiou de exploração de trabalhadores em condições degradantes na Fazenda Vale do Rio Cristalino entre 1970 e 1980, em um dos maiores casos de escravidão contemporânea do país

Por Rosana Bomfim.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) obteve decisão histórica contra a Volkswagen do Brasil, alegando que a empresa se beneficiou de trabalho análogo à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino, entre as décadas de 1970 e 1980.

A Justiça do Trabalho determinou o pagamento de R$ 165 milhões por dano moral coletivo, o maior valor já aplicado em casos desse tipo no país.

Fábricas da Volks | Foto: Acervo Volkswagen do Brasil

Segundo o MPT, centenas de trabalhadores foram submetidos a condições degradantes, incluindo alojamentos precários, vigilância armada, alimentação insuficiente, jornadas exaustivas, servidão por dívida e falta de assistência médica.

A instituição também destacou que a fazenda recebeu recursos públicos e incentivos fiscais, utilizados pela empresa para maximizar lucros às custas da exploração da mão de obra.

A decisão impõe que a Volkswagen reconheça publicamente sua responsabilidade, peça desculpas aos trabalhadores e adote medidas de prevenção, como políticas de direitos humanos, auditorias independentes, canal de denúncias seguro e treinamentos sobre trabalho escravo e tráfico de pessoas.

C7 Vw Montadora | Foto: Divulgação VW

O MPT iniciou a investigação em 2019, após receber documentos do padre Ricardo Rezende Figueira, da Comissão Pastoral da Terra.

Foram analisados relatórios e ouvidas dezenas de testemunhas antes da ação civil pública, elaborada pelos procuradores Christiane Vieira Nogueira, Rafael Garcia Rodrigues, Silvia Silva da Silva e Ulisses Dias de Carvalho.

Segundo o procurador Rafael Garcia Rodrigues, “os documentos e depoimentos comprovam graves violações aos direitos humanos, com trabalhadores submetidos a condições semelhantes à escravidão”.

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