CTB se manifesta sobre áudio de adesivos em ônibus no 2° turno e cobra explicações sobre frota parada em Salvador
Em nota, entidade afirma que não comentará gravação de origem e contexto não verificados e diz que 944 ônibus aptos a circular permaneceram nas garagens nas primeiras horas do segundo turno das eleições
Por Da redação.
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil na Bahia (CTB-BA) se manifestou nesta sexta-feira (30) sobre o áudio atribuído a integrantes da entidade que circulou após as denúncias envolvendo a operação de ônibus em Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em nota enviada à imprensa, a central afirmou que não compactua com irregularidades eleitorais, mas disse que não comentará gravações de origem e contexto não verificados.
O posicionamento foi divulgado após a publicação de um áudio no qual um homem orienta integrantes do grupo a organizar a distribuição de adesivos de campanha em garagens de empresas de transporte e determina que os materiais sejam colocados nos ônibus antes da saída dos veículos para as ruas.

A gravação foi comentada pelo secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, durante uma coletiva de imprensa. Na ocasião, ele afirmou que o conteúdo indicaria uma mobilização coordenada em diferentes garagens da capital baiana e atribuiu a ação a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligados aos sindicatos rodoviários.
Na resposta enviada ao Aratu On, a CTB afirmou que os fatos relacionados ao dia da votação já estão sob investigação da Justiça Eleitoral, do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal. A entidade declarou confiar nas instituições responsáveis pela apuração.
CTB cita 944 ônibus parados e cobra explicações da Prefeitura
Na nota, a central direcionou a discussão para a quantidade de veículos que permaneceram nas garagens durante as primeiras horas do domingo de votação. Segundo a CTB, uma fiscalização do Procon-BA apontou que 944 ônibus aptos a circular ficaram parados nas garagens.
A entidade argumenta que esse número não pode ser explicado pela colocação de adesivos nos coletivos. A CTB também afirma que o próprio secretário municipal de Mobilidade admitiu publicamente que a frota não foi colocada integralmente em operação.

A central atribuiu à Prefeitura de Salvador a responsabilidade por garantir transporte gratuito e suficiente para os eleitores. Segundo a nota, milhares de pessoas, principalmente trabalhadores e moradores de bairros populares, enfrentaram longas esperas e dificuldades para chegar aos locais de votação.
A CTB classificou a discussão sobre os adesivos como uma tentativa de desviar o foco da responsabilidade da gestão municipal. A entidade, no entanto, não apresentou detalhes sobre a gravação nem confirmou a participação de integrantes da central na organização da distribuição dos materiais.
Entidade pede divulgação dos dados da operação
A CTB também afirmou que o problema do transporte público no dia da votação não teria ocorrido apenas em Salvador. Na nota, mencionou episódios semelhantes em Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, além de outras cidades do país.
A entidade defendeu uma apuração sobre a possibilidade de uma ação articulada para dificultar o acesso dos eleitores às urnas. A central pediu transparência sobre a programação da frota, a quantidade de veículos que efetivamente circulou e as ordens repassadas às garagens no dia da votação.
A nota é assinada por Rosa de Souza, presidenta da CTB Bahia, e foi divulgada em Salvador, nesta sexta-feira (30).

Entenda a polêmica sobre os ônibus em Salvador
A operação do transporte público na capital baiana durante o segundo turno das eleições passou a ser alvo de questionamentos após denúncias de redução na oferta de coletivos. O PT acusou a Prefeitura de Salvador de diminuir a circulação de ônibus e dificultar o deslocamento dos eleitores.
Documentos obtidos pelo jornal O Globo também apontaram diferenças entre a programação preparada pela gestão municipal para o domingo de votação e os intervalos normalmente praticados em dias úteis. Em algumas linhas, o planejamento previa intervalos maiores.
O secretário Pablo Souza, por sua vez, afirmou que a operação do segundo turno seguiu o mesmo modelo utilizado na primeira etapa da eleição. Segundo ele, o planejamento não previa a circulação de 100% da frota dos dias úteis, mas teria sido elaborado para garantir frequência adequada aos eleitores.
A Polícia Federal deve investigar o episódio após solicitação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
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