Primeira escola afro-brasileira do Brasil encerra atividades em Salvador
Primeira escola afro-brasileira do Brasil encerra atividades em Salvador
Por Juana Castro.
A Escola Afro-brasileira Maria Felipa anunciou, nesta quarta-feira (7), o encerramento das atividades de sua unidade em Salvador. Fundada há nove anos na capital baiana, a instituição é reconhecida como a primeira escola do Brasil registrada no Ministério da Educação (MEC) com foco em uma proposta pedagógica antirracista, afrocentrada e trilíngue.
Em comunicado oficial divulgado pela direção, a escola informou que a decisão foi motivada por dificuldades financeiras enfrentadas ao longo dos últimos anos.
+ Desconstruir para instruir: escola aposta em educação decolonial para crianças

Segundo a nota, as sócias Bárbara Carine e Maju Passos afirmam que buscaram diferentes alternativas para garantir a sustentabilidade do projeto na capital baiana, mas optaram pelo encerramento após investimentos superiores a R$ 1 milhão em recursos próprios, além de impactos emocionais e pessoais relacionados à manutenção da unidade.
“Informamos que a escola afro-brasileira Maria Felipa Salvador encerrará as suas atividades enquanto escola privada”, diz o comunicado.
As gestoras destacam que, apesar da decisão, a unidade do Rio de Janeiro, inaugurada em sociedade com a atriz Leandra Leal, seguirá funcionando normalmente. De acordo com a nota, a escola carioca caminha para a autossuficiência e registrou aumento de matrículas no último ano.

“Elas decidiram encerrar a operação e seguir apenas com a unidade do Rio de Janeiro, que está caminhando para a autossuficiência, tendo quadruplicado o seu número de matrículas em 1 ano”, informa o texto.
No comunicado, as sócias também ressaltam a relação histórica e afetiva com Salvador e a Bahia, destacando o simbolismo de Maria Felipa, heroína negra que dá nome à instituição.
+ Escola Afro-brasileira Maria Felipa abre inscrições para 'Decolônia de Férias'
“Salvador é nossa cidade. Nosso lugar no mundo. A Bahia é a terra de Maria Felipa, nossa heroína. Por isso lutamos todos esses anos pela manutenção do projeto na cidade”, afirmam.
A nota encerra com agradecimentos à comunidade escolar, incluindo crianças, profissionais da educação e famílias que participaram da trajetória da escola na capital baiana.
“Queremos agradecer a todas as pessoas que contribuíram com a construção desse projeto que transforma tantas vidas na nossa cidade de Salvador”, diz o comunicado, assinado pela Escola Afro-brasileira Maria Felipa – unidade Salvador, pelas sócias Bárbara Carine e Maju Passos.
Veja abaixo:
+ Nasce filho da educadora e escritora baiana Bárbara Carine: 'Estreou'
+ Praça Cairu, no Comércio, passa a se chamar Praça Maria Felipa em homenagem a heroína do 2 de Julho
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).