Escola afro-brasileira Maria Felipa continuará funcionando em Salvador
A primeira escola afro-brasileira do Brasil havia anunciado que encerraria as atividades em Salvador após dificuldades financeiras enfrentadas ao longo dos últimos anos
Por Ananda Costa.
Após anunciar que encerraria as atividades em Salvador, a Escola Afro-brasileira Maria Felipa publicou, na noite desta sexta-feira (9), que continuará funcionando após receber apoio de um ator baiano e antirracista e da deputada estadual Olívia Santana (PCdoB).

No comunicado publicado no Instagram da instituição, as sócias Bárbara Carine e Maju Passos relataram que, durante uma manifestação no Porto da Barra, um artista baiano entrou em contato afirmando que estava disposto a ajudar.
Além dele, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) também falou com a escritora Bárbara Carine e a especialista em Economia Criativa para colaborar por meio de uma emenda parlamentar.
“Ontem fizemos um ato no Porto da Barra, puxado pelas profissionais da escola. Após o ato, um importante artista baiano entrou em contato conosco dizendo que estava disposto a tudo para que o projeto não fechasse. Ali começou uma grande reviravolta.
Fomos para a escola e começamos a pensar em cenários possíveis. Recebemos uma ligação da deputada Olívia Santana, que se comprometeu a mobilizar uma emenda parlamentar para o instituto (muitíssimo obrigada, deputada). Também estamos nos movimentando para firmar convênios do instituto com a esfera pública”, contaram.
Como vai funcionar a escola afro-brasileira Maria Felipa em Salvador?
Ainda no comunicado, as sócias informaram que a escola passará a funcionar em um novo formato, por meio do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do Instituto Brasileiro Maria Felipa, criado pelas gestoras do colégio em 2023.
Com isso, a Escola Maria Felipa passará a operar com uma composição mista de estudantes, sendo parte dos alunos mensalistas e parte bolsistas.
As responsáveis também informaram a criação de uma vaquinha, com meta de arrecadar R$ 200 mil, destinada a custear a manutenção das atividades até a liberação da emenda parlamentar da deputada Olívia Santana e a efetivação da doação de um artista que preferiu não se identificar.
“Nesse novo formato, contrataremos um(a) profissional de captação do terceiro setor, com a intenção de buscar estabilidade para a iniciativa nos próximos anos, por meio da captação de recursos de instituições filantrópicas e governamentais para o nosso instituto. Além disso, pretendemos nos inscrever no CEBAS no próximo ano, para obter isenção fiscal, bem como no CMDCA, possibilitando também deduções de imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas. Os caminhos são muitos, de muita luta e muito trabalho. Contudo, estamos com muita esperança.”
Escola aposta em educação decolonial para crianças

Você sabe quem foi Maria Felipa? As crianças da escola que leva o nome dela, no bairro da Federação, em Salvador, responderiam prontamente: heroína da Independência, baiana e negra.
Lá, não só a placa de Marielle Franco se faz presente, mas também a diversidade cultural, de gênero e raça entre os 33 alunos da instituição de ensino afro-brasileira bilíngue pensada por um casal de professores que estava prestes a adotar uma criança afrodescendente e não via as escolas tradicionais, com ideologias eurocêntricas, como opção para iniciar os estudos da pequena Iana, hoje com 11 meses.
Em 2017, Bárbara Carine e Ian Cavalcanti decidiram construir o futuro da filha que ainda nem havia nascido. Os dois docentes, ele de grandes escolas particulares da capital baiana e ela da Universidade Federal da Bahia (Ufba), perguntaram para pessoas do movimento negro e da área educacional: qual seria a escola ideal para seu filho?.
No ano seguinte, construíram o Projeto Político Pedagógico (PPP) da Maria Felipa e, em janeiro de 2019, botaram a mão na massa. Graças aos empréstimos que pegaram em um banco, colocaram a unidade de pé e começaram a empreitada pelo ensino decolonial.
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