Salário mínimo de R$ 7 mil? Dieese estima valor após alta da cesta básica
Valor estimado pelo Dieese (R$ 7.106,83) é 4,68 vezes superior ao mínimo vigente, de R$ 1.518,00
Por Juana Castro.
O salário mínimo do brasileiro deveria ser superior a R$ 7 mil. Isso é o que indica o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no aumento no preço da cesta básica em dezembro de 2025. O valor estimado - R$ 7.106,83 - é 4,68 vezes superior ao mínimo vigente, de R$ 1.518,00.

O cálculo tem como base a cesta básica mais cara do país no período, registrada em São Paulo, cujo custo médio chegou a R$ 845,95. A estimativa considera o que determina a Constituição, segundo a qual o salário mínimo deve ser suficiente para atender às despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada mensalmente pelo Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em dezembro, o levantamento apontou aumento no custo da cesta básica em 17 capitais brasileiras. Em João Pessoa, o preço médio permaneceu estável, enquanto nas demais capitais houve redução.
Salvador entre as capitais com maiores altas da cesta básica
Entre as maiores altas do país estão Maceió, com variação de 3,19%, seguida por Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%), Brasília (1,54%) e Teresina (1,39%). As quedas mais expressivas foram registradas na região Norte, com Porto Velho liderando o recuo (-3,60%), seguida por Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%).
De acordo com o Dieese, um dos principais fatores para a elevação do custo da cesta básica foi a alta da carne bovina de primeira, que teve aumento de preço em 25 das 27 capitais pesquisadas. O movimento é atribuído ao aquecimento da demanda interna e externa e à oferta restrita do produto.

Batata também pressiona preços da cesta básica
A batata foi outro item que contribuiu para o encarecimento da cesta básica, com aumento de preços em praticamente todas as capitais. A exceção foi Porto Alegre, onde o valor do produto caiu 3,57%. No Rio de Janeiro, a alta chegou a 24,10%, influenciada pelas chuvas e pelo encerramento do período de colheita.
Além de São Paulo, as cestas básicas mais caras em dezembro foram registradas em Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29). Já nas capitais do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).
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