Endividamento: 80% das famílias fecharam 2025 no vermelho, diz estudo
Brasileiros terminou 2025 em situação de endividamento mais elevada do que no ano anterior
Por Rosana Bomfim.
Apesar de leve melhora no fim do ano, quase 8 em cada 10 famílias fecharam 2025 com algum tipo de dívida; cartão de crédito segue como principal vilão. A maior parte dos brasileiros terminou 2025 em situação de endividamento mais elevada do que no ano anterior.
Segundo o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC,) 78,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em dezembro, índice 2,3 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2024.
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É o que revela a mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC.

Embora o resultado anual mostre um avanço do endividamento, os dados mais recentes indicam uma leve melhora no cenário ao longo do último trimestre. Após alcançar o pico histórico de 79,5% em outubro, o percentual de famílias com dívidas recuou para 78,9% em dezembro, a menor taxa desde julho.
A inadimplência também apresentou recuo no encerramento do ano. O volume de famílias com contas em atraso ficou em 29,4% em dezembro, o menor patamar desde abril, quando o índice havia registrado 29,1%. Para a CNC, o movimento reflete um maior controle financeiro por parte dos consumidores, aliado ao impacto positivo do período sazonal de fim de ano sobre o comércio e o crédito.
O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento no país, sendo utilizado por 85,1% dos devedores.
Na sequência aparecem os carnês (16,2%), que voltaram a apresentar queda, o crédito pessoal (12,1%), os financiamentos imobiliários (9,6%) e de veículos (8,6%), além do crédito consignado (5,8%).

Outro indicador que apresentou melhora foi o prazo médio para quitação das dívidas, que caiu para 7,1 meses em dezembro, ante 7,4 meses no mesmo período de 2024. Segundo a CNC, a redução sugere maior cautela dos consumidores na contratação de crédito.
Apesar dos sinais positivos no curto prazo, o balanço de 2025 aponta para um cenário de maior pressão financeira sobre as famílias brasileiras. Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a sustentabilidade do consumo e a capacidade de pagamento das dívidas dependem diretamente da política monetária.
“Esperamos que, ainda no primeiro semestre, o Banco Central entenda a necessidade de trabalhar com uma taxa Selic mais razoável do que a que vemos desde a metade de 2025.
O último trimestre trouxe bons resultados, muito por conta do 13º salário e das datas festivas, mas há um risco iminente no ciclo de endividamento, principalmente por cartão de crédito, que pode se transformar em uma verdadeira bola de neve”, alerta Bentes.
A entidade avalia que, sem uma redução gradual dos juros, o alívio observado no fim do ano tende a ser temporário, mantendo elevado o risco de agravamento do endividamento das famílias ao longo de 2026.
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