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23/03/2021 14h49 | Atualizado em 23/03/2021 14h50

Gata diagnosticada com o novo coronavírus morre no Rio Grande do Sul; felino apresentou falta de ar e tosse

Donos do animal tiveram a doença e, cerca de duas semanas depois, o animal começou a apresentar sintomas

Gata diagnosticada com o novo coronavírus morre no Rio Grande do Sul; felino apresentou falta de ar e tosse Foto: ilustrativa/Pexels
Da Redação

Uma gata doméstica morreu poucos dias depois de ser diagnosticada com o Sars-Cov-2, vírus que, em humanos, causa a Covid-19. Os donos do animal haviam tido a doença e, cerca de duas semanas depois, a felina foi examinada e passou por testes que confirmaram a doença.

O caso aconteceu na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em fevereiro, mas só foi divulgado à imprensa na noite de segunda-feira (23/3). Segundo o jornal gaúcho Zero Hora, o bichano apresentou falta de ar, rouquidão ao vocalizar, tosse, perda de apetite e leve perda de peso.

Exames não revelaram alterações sanguíneas nem em funções renais ou hepáticas, sendo revelada apenas uma inflamação nos pulmões, compatível com doenças infecciosas. Sete dias depois do atendimento inicial, a gata teve piora do quadro, precisando de apoio respiratório.

Após quatro dias de internação apresentou melhora e foi liberada para seguir tratamento sintomático em casa, mas acabou morrendo dias depois. Os outros dois felinos da família tiveram diagnóstico negativo para o Sars-Cov-2.

DIAGNÓSTICO

Como os donos informaram que ambos tinham tido diagnóstico positivo para Covid-19 e que os três felinos da casa não foram isolados deles durante o tempo em que tiveram a doença, o veterinário que atendeu o animal coletou amostra nasal e encaminhou para diagnóstico por exame RT-PCR na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Isso ocorreu porque está em desenvolvimento na UCS um projeto de pesquisa que estuda os agentes envolvidos nas doenças respiratórias de felinos na Serra. 

O projeto é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Animal da universidade e realizado pelo Laboratório de Diagnóstico em Medicina Veterinária da UCS, em parceria com o Serviço de Testes e Diagnósticos para Covid-19.

De outra forma, segundo o veterinário Rogério Peletto, da Vigilância em Saúde do município, não existem laboratórios que façam esses testes em animais. O diagnóstico foi confirmado no dia 5 de março: a gata testou positivo para Sars-Cov-2. 

DOENÇA EM GATOS

Segundo as autoridades sanitárias do Rio Grande do Sul, é importante ressaltar que a descoberta revela que os animais estão suscetíveis a serem contaminados pelos humanos e não o contrário. Não há divulgação de estudos que comprovem que os animais possam transmitir a doença ao homem. Ou seja, eles não representam risco aos humanos.

"É uma informação importante porque essa é uma doença nova. Possivelmente, vai gerar novas pesquisas e, com isso, se descobrirá mais informações. Para os veterinários, vão ter que colocar essa doença no rol de possibilidades que vão atender. Não há tratamento específico, mas terão que ser feitos tratamentos de suporte. Até onde sabemos, não há risco de saúde pública, porque, pelo que sabemos as pessoas que transmitem principalmente para os felinos", declarou Poletto ao Zero Hora.

Segundo o professor e pesquisador da UCS, André Streck, que foi o responsável pelo diagnóstico, já existem casos de animais infectados por humanos em outros países no mundo. O projeto de pesquisa também pretendia ver se iria acontecer na região e como seria esse processo. 

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que infecções de animais pelo Sars-Cov-2 já foram relatadas por vários países. No "caso especifico dos cães e gatos, principais animais de companhia, um pequeno número foi  notificado como infectado. No entanto, com base na informação limitada disponível até o momento, não é possível afirmar que eles sejam mais suscetíveis a alguma variante especifica." 

A SES disse ainda que "nenhuma espécie animal foi descrita como de importância epidemiológica na transmissão da doença ou na manutenção da pandemia". 

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Fonte: Da redação