Acumular livros não lidos. Vício ou arte?
Basta o autor preferido anunciar uma nova obra, um amigo dizer que um livro é a nossa cara, a gente se deparar com uma edição especial encantadora ou ler uma sinopse interessante que o dedo coça para encher o carrinho de compras do site ou colocar o livro na sacola e sair da livraria abastecido. Que dia essa nova aquisição será lida? Só Deus sabe. Mas a gente compra mesmo assim.
O que para muitos é visto como vício, loucura ou falta de equilíbrio para os japoneses é uma arte com nome e tudo: Tsundoku. O termo surgiu em meados do século XIX para explicar o hábito de comprar, ganhar ou acumular livros e deixá-los na estante. Eles ficam lá, adormecidos, esperando pacientemente o dia em que serão abertos e ficarão gravados em nossas mentes.
O grande escritor Umberto Eco dizia que os livros que ainda não foram lidos são mais importantes do que aqueles que já lemos. Para ele, a estante cheia é um lembrete do vasto conhecimento do mundo e um convite permanente à curiosidade e à descoberta de algo novo. Essa biblioteca pessoal revela nossos interesses, questionamentos, incertezas e dúvidas. Ela nos lembra que sempre há algo a ser revelado.
E pelo visto o brasileiro tem aderido ao Tsundoku. Somente nos primeiros meses de 2026, o faturamento do setor editorial ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão, um recorde puxado principalmente pelos livros de ficção, desenvolvimento pessoal, negócios e obras voltadas ao público jovem. Estamos lendo mais ou pelo menos estamos montando nossa estante de sabedoria adormecida para ser desbravada em breve.
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