A falsa prioridade do debate sobre jornada de trabalho
Paulo Cavalcanti chama atenção para uma distorção no debate público brasileiro. Enquanto o país enfrenta graves problemas estruturais, como corrupção, baixa produtividade e ineficiência do gasto público, o foco da discussão nacional tem se concentrado quase exclusivamente na mudança da jornada de trabalho.

Para o colunista, o Brasil ainda está distante da realidade econômica de países desenvolvidos. Ele lembra que milhões de brasileiros já deixaram o regime da CLT e migraram para outras formas de trabalho, como o Microempreendedor Individual (MEI), ou até mesmo para a informalidade, muitas vezes por falta de alternativas no mercado formal.
Nesse cenário, Cavalcanti destaca que a produtividade brasileira permanece muito baixa quando comparada a economias mais avançadas, chegando a cerca de um quarto da produtividade dos Estados Unidos e aproximadamente um terço da média europeia.
Ao mesmo tempo, ele chama atenção para a dimensão dos recursos públicos perdidos com corrupção. Segundo Cavalcanti, os valores desviados frequentemente atingem cifras de bilhões de reais, montantes que, se bem aplicados, seriam suficientes para sustentar boa parte dos municípios brasileiros, muitos dos quais sobrevivem com orçamentos anuais relativamente modestos.
Para ilustrar a situação, o colunista usa uma metáfora direta: discutir detalhes da rede de pesca enquanto o barco está furado. Para ele, antes de qualquer outra agenda, o país precisa enfrentar de forma séria questões como combate à corrupção, aumento da eficiência do Estado e melhoria da produtividade.
Cavalcanti conclui com um alerta: no fim das contas, a conta sempre recai sobre o cidadão e o trabalhador brasileiro. E reforça que o futuro do Brasil é responsabilidade de todos, e ele começa agora.
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