Generalizar é o erro
O escritor reconhece que há fatos concretos que justificam preocupação. Casos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o Executivo, o Congresso Nacional, governadores e órgãos de controle contribuem para um cenário de desgaste institucional. No entanto, ele alerta para um erro de interpretação recorrente: a generalização.
Segundo Cavalcanti, tratar todas as instituições como integralmente comprometidas distorce a realidade e produz efeitos práticos negativos. Ao ignorar a presença de agentes públicos e privados que atuam com responsabilidade, essa leitura enfraquece referências positivas e reduz a capacidade de diferenciação crítica por parte da sociedade.
A análise parte de uma premissa objetiva: em qualquer estrutura institucional coexistem condutas distintas. Há corrupção e oportunismo, mas também há integridade, compromisso e cumprimento de dever. Esse padrão se repete em órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público, o Judiciário, o Legislativo e a imprensa.
O autor também aponta que discursos amplos, como a afirmação de que “toda a mídia está comprometida”, contribuem para a erosão da credibilidade de profissionais que mantêm padrões éticos. Esse tipo de abordagem, ao não distinguir responsabilidades, tende a favorecer o descrédito generalizado e a reduzir a pressão qualificada por correção de desvios.
Como alternativa, Cavalcanti propõe o desenvolvimento do que denomina “consciência cidadã participativa transformadora”. Na prática, trata-se de adotar uma postura baseada em análise, distinção e responsabilização. Isso implica identificar desvios sem comprometer a estrutura institucional como um todo, cobrar de forma consistente e apoiar agentes que atuam corretamente.
A conclusão apresentada é que o processo de transformação institucional depende menos da negação das instituições e mais da capacidade de a sociedade exercer julgamento crítico, diferenciado e contínuo sobre elas.
Assista à coluna completa em vídeo e tire suas próprias conclusões a partir dos argumentos apresentados.
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