Cidadania

Brasil precisa transformar crise em consciência e participação

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Brasil precisa transformar crise em consciência e participação

O cenário vivido pelo Brasil não se limita às divergências que ganharam espaço público entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os conflitos institucionais e os questionamentos relacionados às investigações do Banco Master têm provocado também um efeito fora das instituições: a crescente sensação de insegurança entre os cidadãos.

Medo, desânimo, silêncio, incerteza e sentimento de impotência aparecem cada vez mais nas conversas. Diante de decisões contestadas ou revistas, divergências entre integrantes das instituições e suspeitas que ainda precisam ser esclarecidas, é natural que surjam perguntas: o que está acontecendo? Em quem podemos confiar? Que futuro estamos construindo para o país?

No caso do Banco Master, existem fatos, suspeitas e questionamentos sob investigação. Cabe às instituições responsáveis apurar tudo com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal. A sociedade tem direito a respostas. Quando elas não chegam de forma clara, aumentam a desconfiança e a distância entre o cidadão e as instituições.

Mas a questão não está somente na crise institucional. Precisamos observar também como a sociedade se posiciona diante dela.

O Estado Democrático de Direito depende de instituições fortes, independentes e submetidas aos limites definidos pela Constituição. Cada Poder tem suas atribuições e responsabilidades. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer um princípio fundamental: todo poder emana do povo.

É justamente aí que temos um desafio importante. O Brasil precisa avançar na educação e na formação cidadã. Precisamos desenvolver aquilo que tenho chamado de inteligência cidadã: compreender como funciona o Estado, acompanhar as instituições, fiscalizar os representantes e participar de maneira organizada da vida pública.

Essa compreensão deve estar acima das paixões partidárias e das disputas ideológicas. Governos mudam, partidos passam e autoridades se sucedem. As instituições permanecem. E permanece também a responsabilidade da sociedade de defendê-las e exigir que cada uma cumpra suas atribuições.

Uma crise dessa dimensão não pode levar o cidadão ao medo, ao silêncio ou à sensação de impotência. Ela precisa produzir o contrário: consciência, participação e organização.

A Constituição deve ser guardada pelas instituições, mas a sociedade também precisa acompanhar aqueles que têm a responsabilidade de protegê-la. A sociedade civil organizada, as entidades representativas, a classe produtiva, o terceiro setor e suas lideranças têm papel fundamental nesse processo.

O Brasil atravessa um momento que exige atenção. O risco é permitir que crises sucessivas façam o cidadão perder a confiança em sua própria capacidade de participar e influenciar os rumos do país.

Precisamos fortalecer a autoestima cidadã e compreender que democracia não acontece apenas no dia da eleição. Participar também significa acompanhar, questionar, fiscalizar, organizar-se e exigir respostas.

O futuro do Brasil é da nossa conta. E essa responsabilidade começa agora.

Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Paulo Cavalcanti

Paulo Cavalcanti

Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

Instagram: @paulosergiocavalcanti

Ver mais > >

Relacionadas

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.