Até quando o peso vai aumentar?
Na coluna desta semana, vou recorrer a uma fábula antiga, atribuída a Esopo, para tratar de um tema que deixou de ser abstrato há muito tempo: o limite da sociedade diante do acúmulo de abusos do Estado. O burro que cai não é figura de linguagem simpática. É um alerta direto. Não é o peso isolado que destrói, mas o acúmulo contínuo de cargas sempre justificadas, sempre adiadas, sempre empurradas para “só mais um pouco”.
Ao conectar essa fábula à realidade brasileira, o autor expõe a lógica perversa de um sistema que amplia impostos e taxas enquanto entrega, de forma recorrente, ineficiência, desperdício, má gestão e escândalos sucessivos. A crítica foge do terreno fácil da polarização. Não é sobre direita ou esquerda. É cultural. Quem paga a conta não é partido político, é o cidadão comum: o trabalhador, o empresário, o informal, o jovem, o aposentado. Sempre os mesmos, sustentando o mesmo peso.
O texto também questiona a narrativa oficial que transfere responsabilidades. Quando falta saúde, a culpa é da demanda. Quando falta educação, da família. Quando falta segurança, da sociedade. O sistema, ao menos no discurso, nunca falha. Governar, porém, não é testar até onde a população aguenta. Explorar a resistência não é virtude administrativa; é empurrar o país para o limite.
Ao final, a provocação permanece simples, direta e incômoda. O problema não é o burro. É a carga injusta. O Brasil não começa em Brasília, nem no Congresso, nem nos tribunais. Começa em cada cidadão que se recusa a naturalizar o abuso. E a pergunta que fica não pede slogan nem torcida: e aí? Isso é da nossa conta?
*Este material não reflete, necessariamente, a opinião do Aratu On.
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