Mutirão presta atendimento para mulheres vítimas de violência em Salvador; saiba como ser atendida
Ação da Polícia Civil acontece nesta segunda-feira (24), na Piedade, com acolhimento, registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e encaminhamento para a rede de proteção
Por Victor Hernandes.
Mulheres vítimas de violência terão acesso a atendimento especializado durante um mutirão realizado pela Polícia Civil da Bahia, a partir desta segunda-feira (24), em Salvador. A ação faz parte do Projeto Por Elas – Mutirão de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência.

O atendimento será realizado das 8h às 17h, em frente à sede da Polícia Civil, no bairro da Piedade. A iniciativa busca incentivar as denúncias e facilitar o acesso das mulheres aos serviços de proteção e enfrentamento à violência.
Durante o mutirão, serão oferecidos acolhimento, registro de ocorrências, oitivas, solicitação de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) e encaminhamentos para a Rede de Proteção. Também haverá distribuição de materiais informativos com orientações sobre direitos e canais oficiais de denúncia.
Segundo a diretora do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Vulneráveis (DPMCV), delegada Juliana Fontes, a iniciativa pretende concentrar diferentes serviços em um mesmo espaço.
“O Projeto Por Elas busca facilitar o acesso das mulheres aos serviços da Polícia Civil, reunindo em um mesmo espaço acolhimento, orientação e atendimento especializado. Nosso objetivo é garantir que cada mulher seja ouvida, orientada e tenha acesso aos mecanismos de proteção necessários para romper o ciclo da violência”, explicou.
Como ser atendida no mutirão
O atendimento será realizado nesta segunda-feira (24), das 8h às 17h, em frente à sede da Polícia Civil da Bahia, no bairro da Piedade, em Salvador.
As mulheres poderão procurar o local para receber orientação, registrar ocorrências, solicitar medidas protetivas e ser encaminhadas aos serviços da Rede de Proteção.
Bahia registra mais de 10 mil denúncias de violência doméstica
A ação ocorre em meio ao aumento das denúncias de violência doméstica na Bahia. Entre março de 2025 e março de 2026, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) registrou mais de 10 mil denúncias de violência doméstica. No período anterior, foram contabilizados 8.106 casos.
No mesmo intervalo, o MP-BA se manifestou em 27.916 pedidos de medidas protetivas. Também foram formalizadas 247 denúncias relacionadas a feminicídio no estado.
Segundo o órgão, os casos envolvem diferentes formas de violência contra mulheres, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, muitas vezes praticadas no ambiente doméstico.
O Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid) realizou mais de mil atendimentos a vítimas em 2025, oferecendo suporte jurídico, psicossocial e encaminhamento para a rede de proteção.
Bahia registra 240 casos de violência contra mulheres
Dados da Rede de Observatórios da Segurança também apontam a dimensão da violência contra mulheres no estado. Além disso, a Rede de Observatórios da Segurança divulgou a sexta edição do boletim Elas Vivem: a urgência da vida, que reúne dados sobre violência contra mulheres em nove estados brasileiros, entre eles a Bahia.
De acordo com o levantamento, a Bahia registrou 240 casos de violência contra mulheres em 2025, número que representa uma redução de 6,6% em relação ao ano anterior. O estudo também aponta lacunas na identificação das vítimas: em 85% das ocorrências não havia informação sobre raça ou cor.
Nos casos de feminicídio registrados no estado, 72,9% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório.
O boletim analisa ocorrências registradas em nove unidades da federação monitoradas pela organização: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
No total, foram registrados 4.558 casos de violência contra mulheres nesses estados ao longo de 2025, um aumento de 9% em comparação com 2024. O estudo destaca ainda que, em média, ao menos 12 mulheres foram vítimas de violência por dia.

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