Corpo escondido no IML e versão de suicídio: documentário revisita história de mulher morta pela Ditadura na Bahia
A história de Iara Iavelberg, militante assassinada durante a ditadura militar em Salvador, será tema de um documentário
Por Bruna Castelo Branco.
A história de Iara Iavelberg, militante assassinada durante a ditadura militar, e a luta de sua família para esclarecer as circunstâncias de sua morte serão tema de um documentário exibido pela TV Senado nesta segunda-feira (2), Dia de Finados. Intitulado “Em Busca de Iara”, o filme vai ao ar às 22h30 e reúne documentos, entrevistas e imagens de arquivo para reconstruir a trajetória da militante e investigar as versões apresentadas sobre sua morte, em Salvador, em agosto de 1971.
Segundo Mariana Pamplona, sobrinha de Iara e roteirista do documentário, o corpo da militante permaneceu escondido em uma gaveta do Instituto Médico Legal (IML) de Salvador durante um mês. A família só conseguiu reconhecê-lo depois desse período.
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“Eu nunca consegui me esquecer de uma foto muito triste com meus avós reconhecendo o corpo de Iara no IML de Salvador, só um mês depois de sua morte. Isso porque, durante esse período, o corpo dela ficou escondido em uma gaveta do IML”, relata Mariana.
Na época, a repressão divulgou a versão de que Iara havia cometido suicídio. A hipótese foi contestada pela família, que passou anos buscando esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte. A história foi revista após uma exumação realizada em 2003. O laudo pericial, entregue em 2005, contrariou a versão de suicídio. Posteriormente, o relatório da Comissão Nacional da Verdade registrou que a nova perícia confirmou que a militante havia sido assassinada.

Exumação mudou destino dos restos mortais
A versão divulgada durante a ditadura também teve consequências para o sepultamento de Iara. Por ser considerada suicida, ela foi enterrada em uma área reservada a pessoas que morreram dessa forma, no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.
Em junho de 2006, após a revisão das circunstâncias de sua morte, os restos mortais da militante foram transferidos para fora daquele setor do cemitério.
Dirigido por Flávio Frederico e roteirizado por Mariana Pamplona, “Em Busca de Iara” também recupera a trajetória política da militante. A produção procura apresentar sua atuação na resistência à ditadura para além da imagem associada à beleza e ao relacionamento com o guerrilheiro Carlos Lamarca.
A busca por respostas sobre a morte da tia acompanha Mariana desde antes de ela conhecer todos os detalhes da história. Ao comentar fotografias de uma visita ao cemitério, a roteirista descreve a ligação familiar que motivou a investigação.
“Nessas fotos estou no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo, visitando o túmulo da minha tia Iara, cuja história me acompanha desde antes do meu nascimento”, conta.
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Como assistir ao documentário?
A TV Senado pode ser acompanhada gratuitamente pela internet, no site da emissora e no canal oficial no YouTube. Em Salvador, a programação está disponível na televisão aberta digital pelo canal 12.4.
A emissora também integra a grade de operadoras de TV por assinatura, com numeração que varia de acordo com o serviço contratado.
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