Bahia perde quase 340 unidades bancárias em menos de uma década
Movimento acelerado: Bahia perde quase 340 unidades bancárias em menos de uma década
Por João Tramm.
O fechamento de agências bancárias na Bahia não é um fenômeno pontual, mas parte de um processo contínuo de encolhimento da rede física dos bancos no estado. Dados do Sindicato dos Bancários da Bahia, divulgados ao Aratu On, mostram que a Bahia perde quase 340 unidades bancárias em menos de uma década.
Os números se referem a 2016 e novembro de 2025, neste período a quantidade de agências caiu de 1.095 para 756 — uma redução de 339 unidades em menos de dez anos, o equivalente a quase um terço de toda a rede bancária baiana.

Bahia perde quase 340 unidades bancárias em menos de uma década
O movimento se intensificou nos últimos dois anos, como já apontado em reportagem anterior do Aratu On. Entre outubro de 2023 e julho de 2025, apenas o Bradesco fechou 45 agências e abriu somente duas, ambas em cidades que já possuíam atendimento, resultando em saldo negativo de 43 unidades no período. Ao todo, 34 municípios perderam a única agência do banco, e em 19 deles não restou nenhuma agência de qualquer instituição financeira.
Segundo o levantamento do sindicato, cerca de 279 mil pessoas passaram a viver em cidades sem nenhum atendimento bancário presencial, enquanto 756 mil baianos foram diretamente impactados pelos fechamentos recentes.
A retração atinge praticamente todas as grandes instituições. O Bradesco, que em 2016 possuía 317 agências na Bahia, passou a ter apenas 165 em novembro de 2025 — uma perda de 152 unidades, quase metade da sua rede no estado.
Outros bancos também reduziram significativamente sua presença:
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Banco do Brasil: de 328 agências em 2016 para 233 em 2025
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Itaú: de 92 para 42 unidades no mesmo período
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Caixa Econômica Federal: de 219 para 208
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Santander: de 46 para 32
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Banco do Nordeste: manteve 59 unidades, sem expansão desde 2019
Menos agências, menos empregos
A redução da rede física caminha junto com a diminuição dos postos de trabalho. O número de bancários na Bahia caiu de 17.969 em 2017 para 17.058 em novembro de 2025. Somente em 2025, o saldo foi negativo em 372 trabalhadores, diferença entre admitidos e desligados.
No recorte mais recente, entre outubro de 2023 e julho de 2025, 259 funcionários do Bradesco foram demitidos sem justa causa no estado. A crise, porém, não se restringe a uma única instituição. Nesta semana, o Itaú Unibanco realizou uma série de demissões em âmbito nacional, gerando mobilização sindical.
De acordo com entidades representativas, parte das dispensas estaria associada a critérios de produtividade aplicados a trabalhadores em regime remoto ou híbrido, o que tem gerado críticas sobre metas consideradas inalcançáveis e pressão por desempenho.
No total, apenas entre janeiro e novembro de 2025, a Bahia perdeu 46 agências bancárias, sendo 19 do Bradesco e 14 do Itaú, segundo o saldo anual registrado pelo sindicato.
Além do fechamento e demissões desses funcionários, os desligamentos dos funcionários de home office também foi uma temática que gerou mobilizações em 2025. Entre as instituições acusadas em 2025 desta iniciativa está o Itaú.

No campo político, o Sindicato já organizou audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), por meio do deputado Bobô (PCdoB), bem como tem agendado nas Câmaras do interior. Ainda há em pauta a possibilidade da Câmara dos Deputados, por meio da Comissão de Defesa do Consumidor, também pautar o assunto.
Em maio, o Sindicato dos Bancários já se reuniram com o Procon.
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