Psirico ultrapassa Daniela Mercury na Barra após polêmica com o Olodum
Prevista para sair atrás do bloco comandado por Carla Cristina, Daniela Mercury teve o desfile impactado por problemas técnicos
Por Bruna Castelo Branco.
Depois de disputar - e perder - o direito de abrir a folia na Barra no lugar do Olodum, a cantora Daniela Mercury enfrentou novos contratempos na tarde desta segunda-feira (16) no Circuito Dodô (Barra-Ondina), durante o Carnaval de Salvador. Prevista para sair atrás do bloco comandado por Carla Cristina, a artista teve o desfile impactado por problemas técnicos envolvendo outros trios elétricos.
Segundo informações de foliões que estão no local, o trio de Carla Cristina apresentou atraso e precisou realizar uma manobra nas proximidades do palco Beats, próximo ao Farol da Barra. Na sequência, o veículo do Psirico avançou no percurso para ultrapassar Daniela e evitar mais atrasos.

De acordo com relatos de integrantes da equipe da cantora, a ultrapassagem ocorreu sem autorização.
Após o episódio, o trio pipoca do Psirico também apresentou problemas técnicos e parou nas imediações do Farol da Barra. A organização do desfile solicitou que Daniela ultrapassasse o veículo parado, o que gerou um novo impasse no circuito.
Até o momento, os trios permanecem posicionados na região do Farol, sem apresentações, enquanto a situação é administrada pela coordenação do evento.

Daniela Mercury x Olodum
Isaac Edington, Presidente da Saltur (Empresa Salvador Turismo), comentou, em entrevista ao repórter João Tramm, do Aratu On, a disputa envolvendo Daniela Mercury e Olodum para abrir o Circuito Dodô (Barra-Ondina) no domingo (15) e segunda (16) de Carnaval.
Ontem, por ordem judicial, o Olodum foi o primeiro bloco sair na Barra. Na última quinta-feira (12), um juiz havia determinado, por meio de liminar, que a abertura do circuito seria de Daniela Mercury, com o bloco Crocodilo, mas a decisão foi derrubada no sábado (14), dando preferência ao bloco afro. Nas redes sociais, a cantora criticou a decisão, e disse estar sendo vítima de um "apagamento": "Nem o apagamento que nós mulheres sofremos vai apagar o brilho deste domingo".
Sobre o assunto, Edington afirmou: "Daniela Mercury é uma artista que merece o nosso respeito, a nossa consideração, está sempre conosco, nós sempre contratamos ela para participar dos eventos, então, não temos nenhum problema com a artista, muito pelo contrário. Mas, quanto a essa questão, a gente tem que discordar, porque os dados mostram isso, temos todas as informações publicadas em Diário Oficial, o próprio Comcar [Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares] apresentou isso. De fato, houve uma distorção dessa informação. A artista Daniela Mercury, desde que existe o controle, o Conselho do Carnaval e essa organização da fila dos blocos, jamais ocupou essa posição de ser a primeira do circuito. Tanto é que foi comprovado na Justiça que isso não é verdade. Isso acabou virando uma polêmica muito grande".

Na sequência, o diretor da Saltur apontou que, ao conseguir uma liminar para sair na frente dos outros blocos, Daniela também desrespeitou a organização dos outros artistas que desfilariam no mesmo circuito: "O que a Justiça fez foi restabelecer a verdade, restabelecer que aquele local não é um local dela durante anos, nunca foi. Nós da prefeitura vamos acatar o que a Justiça determinar".
Em nota, a assessoria de comunicação do bloco afro afirmou que a decisão judicial foi recebida pela diretoria como um reconhecimento institucional. O presidente do Olodum, Jorginho Rodrigues, comentou a medida: “Abrir a avenida é uma responsabilidade grande. O Olodum construiu uma trajetória que dialoga com a história do Carnaval e com a luta do povo negro. Recebemos essa decisão com respeito e com o compromisso de fazer um desfile à altura do que o público espera”, afirmou.
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