Bell Marques no Carnaval de Salvador: blocos, história e tradição

Poucos artistas têm uma ligação tão forte com o Carnaval de Salvador quanto Bell Marques

Por Bruna Castelo Branco.

Uma andorinha só não faz verão! Poucos artistas têm uma ligação tão forte com o Carnaval de Salvador quanto Bell Marques. Há mais de quatro décadas em cima de trios elétricos, o cantor se consolidou como um dos principais símbolos da folia baiana, arrastando multidões pelos circuitos da capital e ajudando a moldar a identidade do axé music.

A trajetória de Bell no Carnaval começou ainda no fim da década de 1970, quando fez sua estreia no Trio Tapajós, puxando o bloco Traz os Montes. Pouco tempo depois, passou a integrar a banda Scorpius, que mais tarde se transformaria no Chiclete com Banana.

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Poucos artistas têm uma ligação tão forte com o Carnaval de Salvador quanto Bell Marques. | Foto: Gilberto Junior/Secom

Foi à frente do Chiclete que Bell consolidou seu nome como um dos maiores puxadores de trio do país. A banda revolucionou o Carnaval de Salvador nos anos 1980 ao transformar o trio elétrico em um grande palco móvel e criar uma legião de fãs conhecidos como “chicleteiros”. O grupo também ajudou a popularizar o axé music em todo o Brasil.

Durante mais de 30 anos no Chiclete com Banana, Bell acumulou sucessos que viraram trilha sonora festa, como “Voa Voa”, “Diga que Valeu”, “100% Você” e “Selvagem”. Os desfiles do grupo chegaram a reunir centenas de milhares de pessoas atrás do trio elétrico no circuito Barra-Ondina.

Em 2014, Bell se despediu oficialmente do Chiclete com Banana durante o Carnaval de Salvador. A saída marcou uma das mudanças mais simbólicas da história recente da festa. Logo depois, iniciou carreira solo e lançou o bloco Vumbora, mantendo a tradição de arrastar multidões na avenida.

Durante mais de 30 anos no Chiclete com Banana, Bell acumulou sucessos que viraram trilha sonora festa. | Foto: Divulgação

Mesmo após deixar a banda, Bell continuou como uma das atrações mais disputadas da folia. Em entrevista, o cantor afirmou ser “o artista que mais toca dentro do Carnaval há muitos anos”, realizando apresentações em praticamente todos os dias da festa.

A relação do artista com o Carnaval atravessa gerações. Além de seguir como um dos nomes mais populares da festa, Bell ajudou a construir uma cultura própria em torno dos blocos de trio, dos abadás e da experiência de acompanhar um artista pelas ruas de Salvador.

Hoje, aos 73 anos, Bell Marques segue sendo tratado por muitos foliões como um dos maiores ícones da história do Carnaval baiano — uma conexão construída ao longo de décadas entre guitarra, trio elétrico e multidões nas ruas da capital baiana.

Há mais de quatro décadas em cima de trios elétricos, o cantor se consolidou como um dos principais símbolos da folia baiana. | Foto: Gilberto Junior/Secom

Músicas mais famosas de Bell

Entre os maiores sucessos de Bell Marques — tanto na carreira solo quanto no período à frente do Chiclete com Banana — estão músicas que se tornaram praticamente hinos do Carnaval de Salvador.

Algumas das canções mais famosas são:

  • “Voa Voa”
  • “Diga Que Valeu”
  • “Cara Caramba”
  • “100% Você”
  • “Se Me Chamar Eu Vou”
  • “Menina Me Dá Seu Amor”
  • “Selva Branca”
  • “Amor Perfeito”
  • “Cabelo Raspadinho”
  • “Chicleteiro Eu, Chicleteira Ela”

Hoje, aos 73 anos, Bell Marques segue sendo tratado por muitos foliões como um dos maiores ícones da história do Carnaval baiano. | Foto: Alfredo Filho/Secom

Vida pessoal

Ainda hoje, Bell segue mantendo uma rotina intensa de preparação física para encarar os shows e os tradicionais blocos que comanda no Carnaval de Salvador. O cantor revelou recentemente que até o hábito de “mexer as pernas” faz parte de uma estratégia para preservar o desempenho durante a folia.

“As pessoas sempre me perguntam por que eu tremo tanto a perna. Eu tremo a perna por causa do carnaval. No carnaval se a minha perna tremer de cansaço, o meu cérebro entende que eu me cansei e joga o cansaço nas minhas cordas vocais e me prejudica. Então eu não posso deixar meu cérebro entender que minhas pernas cansaram”, explicou o artista em vídeo publicado nas redes sociais.

Ainda hoje, Bell segue mantendo uma rotina intensa de preparação física para encarar os shows. | Foto: Gilberto Junior/Secom

Conhecido pela energia em cima do trio elétrico, Bell mantém uma rotina voltada para o condicionamento físico. Nas redes sociais, o cantor costuma compartilhar treinos, hábitos saudáveis e a paixão pela corrida, esporte que passou a praticar nos últimos anos e que hoje faz parte da preparação para a agenda de apresentações ao longo do ano.

Além dos exercícios físicos, o artista também utiliza as plataformas digitais para incentivar seguidores a adotarem uma rotina mais ativa e voltada ao bem-estar.

Bell é casado com Ana Marques há mais de 40 anos, e os dois são pais de Rafael e Filipe Marques, conhecidos nacionalmente como Rafa & Pipo Marques, dupla que segue os passos do pai no axé music.

Bell é casado com Ana Marques há mais de 40 anos, e os dois são pais de Rafael e Filipe Marques. | Foto: Redes Sociais

Antes, Bell teve uma filha, Rebeca Teixeira, artista plástica e mãe das netas Íris e Elis. Rebeca nasceu em 1979, fruto de um relacionamento anterior ao casamento de Bell com Ana, oficializado em 1981.

Ao longo da carreira, o cantor reafirmou características marcantes que viraram parte da própria identidade visual. Uma delas é a tradicional bandana, acessório que acompanha Bell há décadas em shows, carnavais e aparições públicas.

Outra marca registrada era a barba, mantida por cerca de 30 anos. Em 2011, no entanto, o artista surpreendeu os fãs ao aparecer sem o visual durante uma campanha publicitária da Gillette. A mudança repercutiu entre admiradores, já acostumados com a imagem clássica do cantor.

A relação do artista com o Carnaval atravessa gerações. | Foto: Alfredo Filho/Secom

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