Beija-Flor leva tradição baiana à Sapucaí com homenagem ao Bembé do Mercado
Escola de samba Beija-Flor de Nilópolis apresentou samba-enredo em homenagem à tradição baiana do Bembé de Mercado, na noite de segunda-feira (16)
Por Júlia Naomi.
A escola de samba Beija-Flor de Nilópolis apresentou a tradição baiana do Bembé de Mercado à Sapucaí, no Rio de Janeiro (RJ), com mensagens de paz, liberdade e fé, na noite de segunda-feira (16). Sediado em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo da Bahia, o maior candomblé de rua do mundo ocorre anualmente em maio e reúne mais de 60 terreiros.

A apresentação da atual campeã do carnaval carioca em seu primeiro ano sem Neguinho da Beija-Flor, aposentado dos microfones após 50 anos, faz referências à ancestralidade afro-brasileira e homenageia os orixás protagonistas da festa, para quem são dedicados cestos com presentes: Oxum, senhora das águas doces, e Iemanjá, Rainha do Mar. Elas são representadas ao lado de outros orixás.
Além disso, a letra do samba-enredo valoriza a liberdade e o direito de ocupar as ruas como espaço de celebração da cultura afro-brasileira, com versos como "Pois a nossa liberdade, não depende de papel", "Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu" e "A rua ocupamos por direito".

A Igreja de Nossa Senhora da Purificação, que é contornada durante os cortejos, também foram lembradas durante a apresentação, bem como Maria Bethânia, Caetano Veloso e Dona Canô, baianos notáveis e conterrâneos do festa religiosa. No último carro, vieram ialorixás e babalorixás da Bahia, todos do Bembé.
A apuração das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, que vai definir a classificação final das agremiações, ocorre nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a partir das 16h.
Ficha técnica:
Presidente: Almir Reis
Carnavalesco: João Vitor Araújo
Intérpretes: Jessica Martin e Nino do Milênio
Mestre-sala e porta-bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso
Mestres de bateria: Plínio e Rodney
Rainha de bateria: Lorena Raissa

Letra do samba enredo da Beija-Flor em 2026
"Bembé"
Não me peça pra calar minha verdade
Pois a nossa liberdade, não depende de papel
Em Santo Amaro, todo 13 de maio
Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu
Ê ê... João de Obá, griô sagrado
Ê ê... Herança viva no mercado
Cantando, saudamos a nossa fé
Às nações do Candomblé
Onde a paz e o respeito
Ressoam no couro do axé funfun
Não tememos ataque algum
A rua ocupamos por direito
Põe erva pra defumar
Um ebó pra proteger
Saraiéié bokunan, saraiéié!

Nosso povo é da encruza
Arte preta de terreiro
É mistura de cultura
Multidão de macumbeiro
O povo gira no xirê, a celebrar...
A fé se espalha em cada canto, em cada olhar
Transborda magia no toque do tambor
Às yabás, o balaio e o amor…
Yemanjá alodê no mar (no mar)
É d’Oxum toda beleza do ibá
É reza no corpo, é dança na alma
A rosa, a palma, o Omolocum...
É Dona Canô de todo recanto
Evoco a Baixada de Todos os Santos!
Atabaque ecoou, liberdade que retumba
Isso aqui vai virar macumba!
Deixa girar que a rua virou Bembé
Deixa girar que a rua virou Bembé
O meu egbé faz valer o seu lugar
Laroyê, Beija-Flor, alafiá!
Autores: Sidney De Pilares, Marquinhos Beija-flor, Chacal Do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane, João Conga, Salgado Luz, Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves, Claudio Russo E Léo Do Piso
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