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Governo da Bahia rebate denúncias sobre retirada de cães da Brigada K9 e detalha situação dos animais

Após denúncias da entidade e da atriz Paula Burlamaqui, Estado afirma que 17 cães foram encontrados em condições insalubres durante retirada de área destinada às obras da Ponte Salvador-Itaparica

Por Victor Hernandes.

O Governo da Bahia e a Concessionária 2 de Julho, responsável pela implantação do Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, se pronunciaram sobre as denúncias envolvendo a retirada de animais de um terreno utilizado pela Brigada K9, no Espaço Jequitaia, em Salvador.

Cães Retirados Do Espaço Jequitaia Foram Encaminhados Para Estrutura Provisória No Antigo Estaleiro Corema, Na Ribeira (2)

A manifestação ocorreu após reportagem do Aratu On, publicada na terça-feira (1º), mostrar a denúncia feita pela Brigada K9 sobre a retirada dos animais do local. Segundo a entidade, os cães estariam há mais de um mês confinados em uma nova estrutura e sem acesso do responsável pelos animais.

As denúncias também foram divulgadas pela atriz Paula Burlamaqui, que publicou um vídeo nas redes sociais relatando a situação. O Ministério Público da Bahia foi procurado para comentar o caso, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Em nota enviada ao Aratu On nesta quinta-feira (3), o Governo da Bahia afirmou que tentou viabilizar uma desocupação consensual do Espaço Jequitaia, área destinada à implantação do canteiro de obras da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.

De acordo com o Estado, o terreno pertence ao Governo da Bahia e era ocupado irregularmente por empresas e particulares, majoritariamente do setor náutico, além da Brigada K9. Ainda segundo a nota, a retomada administrativa da área ocorreu de forma pacífica em 24 de julho de 2026.

A ação teria sido conduzida por policiais militares especializados em resolução de conflitos e trato com cães, com participação da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), representantes de órgãos estaduais e acompanhamento de um profissional da área veterinária. O governo afirmou também que o antigo Estaleiro COREMA, na Ribeira, foi adaptado para receber provisoriamente os ocupantes, seus bens e os animais retirados do Espaço Jequitaia.

Governo afirma que cães estavam em condições inadequadas

Segundo o Estado e a Concessionária 2 de Julho, 17 cães foram encontrados no Espaço Jequitaia durante a retirada. A nota afirma que os animais estavam em ambiente considerado insalubre, com abrigos precários e condições sanitárias inadequadas.

O governo informou que alguns cães apresentavam problemas clínicos que exigiam atendimento veterinário de emergência.

“Os relatórios técnicos e veterinários, realizados na ocasião, identificaram, dentre outras alterações, infestação por pulgas, parasitismo gastrointestinal, lesões e desidratação”, afirmou o comunicado.

Ainda de acordo com a nota, registros feitos durante a ação indicaram presença de dejetos biológicos, acúmulo de lixo e condições consideradas favoráveis à proliferação de vetores e pragas. Na triagem veterinária inicial, seis cães foram classificados como de risco verde, nove como risco amarelo e dois como risco vermelho. Os animais considerados em estado mais grave foram encaminhados imediatamente para atendimento hospitalar.

Cão morreu após quadro grave

Um dos casos citados pelo Governo da Bahia é o do cão Black Black, encontrado em estado crítico. Segundo a nota, o animal foi encaminhado imediatamente para um hospital veterinário. Durante uma laparotomia exploratória, foram identificadas peritonite extensa, presença de conteúdo fecal e biliar na cavidade abdominal, isquemia, necrose e uma laceração de seis centímetros no duodeno, próxima a estruturas vitais.

A equipe veterinária teria considerado o quadro irreversível e concluído pela inviabilidade terapêutica. A eutanásia foi realizada em 30 de julho de 2026, ainda sob anestesia, conforme o Estado, após indicação técnica e autorização formal.

A cadela Princesa também foi classificada como caso de risco vermelho e encaminhada para atendimento hospitalar. De acordo com o governo, ela apresentava anemia significativa e precisou receber uma transfusão de sangue. Princesa recebeu alta em 28 de julho e permaneceu sob cuidados específicos.

Avaliações posteriores identificaram sopro cardíaco, formações nodulares e alterações no baço e no estômago, que ainda estariam em investigação. O animal segue, segundo a nota, sob acompanhamento clínico, hematológico, cardiológico e por exames de imagem.

O governo afirmou que Princesa apresenta evolução positiva e está “visivelmente mais forte e disposta a cada dia”.

Estrutura provisória na Ribeira

O Governo da Bahia informou que o antigo Estaleiro COREMA foi preparado para funcionar como espaço provisório de acolhimento dos cães. Segundo a nota, o local conta com 16 baias com solários, limpeza periódica, acompanhamento individual dos animais, alimentação especial, medicamentos, exames e tratamentos.

Também foram previstos acompanhamento médico-veterinário contínuo, atuação diária de cuidador e adestrador, passeios e medidas para reduzir ansiedade e estresse dos cães, além de segurança 24 horas. O Estado afirma ainda que representantes de órgãos institucionais realizam visitas periódicas ao espaço.

Ao final do comunicado, o Governo da Bahia afirmou que os elementos que podem indicar maus-tratos estão sendo analisados pelos órgãos competentes.

Veja a nota na íntegra: 

Desde setembro de 2025, o Estado e a Concessionária 2 de Julho, responsável pela implantação da Ponte Salvador Itaparica, buscaram viabilizar a desocupação consensual da área Espaço Jequitaia, para implantação do canteiro de obras do Sistema Rodoviário Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. A área, de propriedade do Governo do Estado da Bahia, vinha sendo ocupada irregularmente por empresas e particulares majoritariamente do setor náutico, e a entidade privada denominada Instituto de Ensino, Pesquisa, Segurança e Defesa Social – Brigada K9.

Esgotada a via consensual, a retomada administrativa do Espaço Jequitaia foi executada pacificamente em 24 de julho de 2026, conduzida por policiais militares especialistas em resoluções de conflitos e trato com cães, além da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), com a participação de representantes de órgãos da gestão estadual e acompanhamento de profissional da área veterinária, seguindo todos os procedimentos e as diretrizes jurídicas e administrativas. 

Em paralelo às negociações, o Governo do Estado adequou o antigo Estaleiro COREMA, no bairro da Ribeira, para um acolhimento provisório dos ocupantes, seus bens, assim como os animais. 

No Espaço Jequitaia foram resgatados 17 cães, encontrados em ambiente insalubre, abrigos precários e condições sanitárias inadequadas. Alguns apresentavam situações clínicas visivelmente preocupantes e enfermidades que demandavam atendimento médico-veterinário de emergência. Os relatórios técnicos e veterinários, realizados na ocasião, identificaram, dentre outras alterações, infestação por pulgas, parasitismo gastrointestinal, lesões e desidratação. As fotos e vídeos indicam presença de dejetos biológicos, acúmulo de lixo e condições favoráveis à proliferação de vetores e pragas. 

Na triagem veterinária inicial, seis animais foram classificados em risco verde, nove em risco amarelo e dois em risco vermelho. Estes últimos foram encaminhados imediatamente para internamento hospitalar conforme Relatório Técnico de Avaliação Clínica e Triagem Médico-Veterinária.

Os registros oficiais demonstram, portanto, que as condições inadequadas de abrigo e as alterações clínicas identificadas nos animais estavam presentes no momento da retomada administrativa, antes do acolhimento provisório providenciado pelo Estado. 

A evolução clínica comprova a efetividade dos cuidados do Estado e da Concessionária: em 31 de agosto, 12 cães estavam em risco verde, 4 em amarelo e nenhum em vermelho. A melhora clínica e emocional dos animais está documentada e contrasta com a narrativa de abandono ou maus-tratos posteriores à operação de resgate. O quadro dos animais demonstra a efetividade das medidas adotadas após o resgate. Os quatro cães que ainda demandam maior atenção seguem recebendo cuidados e tratamentos específicos.

Casos de maior gravidade:

O Cão Black Black foi encontrado em estado crítico e encaminhado imediatamente ao hospital veterinário. Durante laparotomia exploratória, foram constatadas peritonite extensa, presença de conteúdo fecal e biliar na cavidade abdominal, isquemia, necrose e laceração duodenal com seis centímetros, em região anatômica próxima a estruturas vitais. A equipe médico-veterinária concluiu pela inviabilidade terapêutica. A eutanásia foi realizada em 30 de julho de 2026, ainda sob anestesia, mediante indicação técnica e autorização formal, para evitar o prolongamento da dor e do sofrimento do animal, dada a gravidade irreversível do quadro identificado durante o atendimento especializado.

A Cadela Princesa também foi classificada em risco vermelho e encaminhada para atendimento hospitalar. Apresentava anemia significativa e necessitou de transfusão sanguínea. Recebeu alta em 28 de julho de 2026 e permaneceu sob cuidados específicos. Avaliações posteriores registraram sopro cardíaco, formações nodulares e alterações esplênicas e gástricas ainda em investigação, com acompanhamento clínico, hematológico, cardiológico e por exames de imagem. Princesa está visivelmente mais forte e disposta a cada dia.

O acolhimento dos cães no Antigo Estaleiro COREMA - apesar de possuir caráter excepcional, emergencial e transitório - foi planejado para ter estrutura física digna e adequada, com 16 baias com solários, limpeza periódica, acompanhamento individualizados dos animais, alimentação especial, medicamentos, exames, tratamentos e acompanhamento médico-veterinário contínuo, atuação diária de cuidador e adestrador, com manejo, passeios, carinhos e medidas de redução de ansiedade e estresse, além da segurança 24h e visita periódica de representantes de órgãos institucionais.

Os elementos indicativos de maus-tratos estão sob apuração dos órgãos competentes e serão considerados nas apurações sobre eventual responsabilidade pelas condições em que os animais foram encontrados, matéria submetida à apreciação do Ministério Público do Estado da Bahia.

Cães Da Brigada K9 Acolhidos Em Estrutura Provisória Após Retirada Do Espaço Jequitaia, Em Salvador.

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