Hotel de luxo nega conivência com morte do cão Orelha em Florianópolis
Hotel foi apontado como sendo de familiares de um dos suspeitos de matar cachorro Orelha
Por Juana Castro.
O Majestic Palace Hotel, localizado no Centro de Florianópolis, negou ter sido conivente com a morte do cão comunitário Orelha e afirmou não possuir qualquer ligação com os investigados pelo crime. O animal morreu após ser agredido por um grupo de adolescentes na Praia Brava, no Norte da Ilha.
Após a repercussão do caso, moradores passaram a registrar reclamações contra o hotel na plataforma Reclame Aqui. Segundo as alegações, o pai de um dos adolescentes suspeitos de espancar o cachorro seria sócio do estabelecimento.

Em nota divulgada nas redes sociais na sexta-feira (23), o Majestic Palace Hotel informou que não mantém vínculo familiar, pessoal, profissional ou empresarial
com pessoas investigadas no caso.
De acordo com a administração, as associações feitas nas redes sociais e em plataformas de reclamação decorrem exclusivamente de coincidência de sobrenomes
. O hotel destacou ainda que atua há mais de 15 anos como pet friendly e mantém uma política consolidada de respeito, acolhimento e cuidado com os animais
.
Em resposta às manifestações no Reclame Aqui, o estabelecimento ressaltou que a plataforma é destinada à resolução de demandas de consumo, não sendo apropriada para acusações ou fatos alheios à atividade do hotel
.
+ Cão Orelha: polícia indicia familiares de adolescentes suspeitos por coação
Hotel em Canasvieiras também nega ligação com investigados
Outro estabelecimento citado em publicações relacionadas ao caso, o Canasvieiras Hotel, no Norte da Ilha, também divulgou nota negando qualquer vínculo com os investigados. Segundo o hotel, a administração é composta exclusivamente por mulheres, todas com filhas maiores de idade e que não residem em Florianópolis.
Na nota, o Canasvieiras Hotel afirmou: Manifestamos nossa solidariedade diante da situação e reiteramos nosso total respeito aos animais, repudiando de forma absoluta qualquer ato de violência ou maus-tratos. Reafirmamos nosso compromisso com a verdade, a transparência e o respeito à comunidade
.
Investigação policial
A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu, na manhã de segunda-feira (26), quatro mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes investigados pela morte do cão Orelha, em Florianópolis. Até o momento, os adolescentes não foram apreendidos.
Em uma das ações, realizada por volta das 6h no bairro João Paulo, celulares, notebooks e outros aparelhos eletrônicos foram apreendidos e encaminhados para perícia. As informações foram divulgadas pelo programa SC no Ar, da NDTV Record.
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Na última semana, a Polícia Civil identificou quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no crime. Segundo a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, responsável pela investigação, há indícios de autoria por parte do grupo.
Além de Orelha, outro cachorro comunitário, chamado Caramelo, também teria sido vítima de agressões cometidas pelo mesmo grupo, incluindo uma tentativa de afogamento. O animal foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Polícia indicia familiares de adolescentes suspeitos por coação
A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou por coação de testemunha três familiares de adolescentes investigados pela tortura e morte do cão comunitário Orelha. Entre os indiciados estão pais e um tio de alguns dos jovens envolvidos no caso.
Durante coletiva realizada nesta terça-feira (27), a Polícia Civil esclareceu a ausência de registros em vídeo do ataque; a única evidência obtida é uma foto compartilhada em um aplicativo de mensagens que, embora não flagre a agressão em si, vincula os adolescentes à cena do crime.
Segundo a investigação, as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado oficialmente à Polícia Civil em 16 de janeiro. Orelha foi encontrado por moradores gravemente ferido e agonizando. Ele foi resgatado e encaminhado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro.
Exames periciais confirmaram que o cão foi atingido na cabeça por um objeto contundente, ou seja, sem ponta ou lâmina. O instrumento utilizado na agressão não foi localizado.
Orelha era cuidado pela comunidade
Orelha viveu por cerca de 10 anos nos arredores da Praia Brava e era cuidado coletivamente pela comunidade local. Moradores se revezavam na alimentação, limpeza das casinhas improvisadas, troca de cobertores e acompanhamento da rotina do animal, que se tornou parte do cotidiano do bairro.
O animal foi encontrado com ferimentos profundos em diversas partes do corpo e, devido à gravidade das lesões, precisou ser sacrificado.
Em vídeo divulgado nas redes sociais no dia dia 16, o delegado-geral Ulisses Gabriel afirmou que foi cobrado pelo governador Jorginho Mello (PL) e que providências já estão sendo adotadas. Adolescentes teriam agredido, com pauladas, esse cachorrinho e eles serão levados à Justiça
, declarou.

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