Câmeras de condomínios e empresas da Bahia podem ser monitoradas em nova plataforma da polícia; veja como cadastrar
Câmeras de condomínios e empresas da Bahia poderão ser compartilhadas em tempo real com as forças de segurança por meio de nova plataforma
Por Victor Hernandes.
Uma nova ferramenta de Segurança Pública permite que câmeras de condomínios e empresas da Bahia sejam compartilhadas em tempo real com as forças de segurança. A plataforma foi lançada para ampliar o monitoramento e auxiliar no combate à violência no estado.

Desenvolvida pela Superintendência de Gestão Tecnológica (SGTO), a ferramenta permite o cadastramento de câmeras instaladas em empresas e residências e o compartilhamento das imagens com a Polícia Militar e Polícia Civil, por meio da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
A integração pode ser realizada por empresas de qualquer cidade da Bahia, desde que as imagens sejam disponibilizadas por meio de empresas integradoras. Após o cadastramento, os equipamentos passam por análise técnica e de localização.
As câmeras também poderão ser integradas ao Sistema de Reconhecimento Facial, de acordo com os critérios técnicos estabelecidos pela Segurança Pública.
Como funciona o monitoramento das câmeras na Bahia
O sistema permite que imagens de câmeras particulares sejam disponibilizadas às forças de segurança em tempo real. A medida amplia a quantidade de equipamentos que podem auxiliar no acompanhamento de ocorrências e na identificação de pessoas procuradas pela polícia.
Antes da nova ferramenta, a Bahia já contava com cerca de 1 mil câmeras de empresas privadas e estruturas residenciais monitoradas pelas forças estaduais por meio do Centro de Operações e Inteligência (Cicom). A ampliação do sistema ocorre em um cenário de preocupação com os índices de violência registrados em Salvador e na Bahia.
Salvador aparece entre cidades com altos índices de violência
A nova ferramenta chega em meio a um aumento de registros sobre diferentes crimes. Dados do relatório da Polícia Civil sobre os crimes registrados em Salvador no primeiro semestre de 2025 apontam 378 homicídios dolosos, quando há intenção de matar. Do total de vítimas, 95% eram homens e 5% mulheres. Também foram registrados 10 casos de latrocínio, crime que ocorre quando o roubo é seguido de morte.
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Salvador apresentou, em 2024, uma taxa de 52 para o indicador que considera homicídios e lesões graves com intenção de matar. A média nacional foi de 20,4.
Segundo o anuário, a capital baiana ultrapassou Macapá, capital do Macapá. A Bahia, por sua vez, é o segundo estado mais violento do país. Perde apenas para o Amapá.
No período analisado, foram registradas 1.335 mortes violentas na capital baiana. A Bahia também aparece entre os estados com maiores índices de violência do país, ficando atrás apenas do Amapá no ranking citado pelo levantamento.
Dados apontam violência armada em Salvador
Os números também chamam atenção quando o recorte considera a violência armada. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontaram 485 mortos e 129 feridos em Salvador no período analisado. Apesar de uma redução de 9% no número de tiroteios em comparação com o mesmo período de 2024 — de 917 para 839 ocorrências — houve aumento no número de pessoas baleadas.
Entre janeiro e junho, 864 pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo. Segundo o levantamento, metade das vítimas foi atingida durante ações ou operações policiais. Do total, 305 pessoas morreram e 42 ficaram feridas.
Ainda conforme os dados, 42% dos tiroteios, 43,5% das mortes e 26% dos feridos ocorreram durante confrontos com agentes de segurança. O levantamento também apontou aumento no número de chacinas policiais, que passou de 17, em 2024, para 57, em 2025. No mesmo período, as chacinas em geral passaram de cinco para 14.
Entre adolescentes atingidos por disparos durante ações policiais, o número passou de três, em 2024, para 14, em 2025, representando uma alta de 367%.

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