Violência digital contra mulheres cresce 188% no Brasil; saiba como denunciar

Os casos de violência contra mulheres praticados no ambiente digital dispararam no Brasil em 2026

Por Bruna Castelo Branco.

Os casos de violência contra mulheres praticados no ambiente digital dispararam no Brasil em 2026. Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 16.725 ocorrências entre janeiro e maio deste ano, um aumento de 188,6% em comparação com o mesmo período de 2025.

O crescimento fez com que o ambiente virtual passasse da sétima para a quinta posição entre os principais locais onde as agressões são denunciadas pelas vítimas.

Os casos de violência contra mulheres praticados no ambiente digital dispararam no Brasil em 2026. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Entre os crimes mais registrados estão difamação, ameaças, perseguição virtual (stalking), invasão de contas, divulgação não autorizada de imagens íntimas, uso de inteligência artificial para criação de deepfakes, descumprimento de medidas protetivas e até estupro.

Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o aumento dos registros também reflete um avanço no combate à subnotificação e na conscientização sobre as diferentes formas de violência praticadas no ambiente digital.

Nesta segunda-feira (22), a pasta lançou a campanha "O digital é nosso lugar", voltada à prevenção e ao enfrentamento das agressões virtuais. Além disso, os protocolos de atendimento do Ligue 180 foram atualizados e os profissionais da central passaram por novos treinamentos para orientar e acolher as vítimas.

Apenas 30% dos contatos viram denúncias

De acordo com o Ministério das Mulheres, somente cerca de 30% dos atendimentos realizados pelo Ligue 180 resultam em denúncias formais. A maior parte dos contatos é feita por mulheres que buscam orientação sobre situações vividas e informações sobre seus direitos.

Para a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, muitas vítimas ainda não reconhecem determinadas práticas como formas de violência.

“A primeira coisa que a gente tenta passar é: entre em contato. Muitas vezes, estas mulheres precisam entender que as ações feitas contra elas são violências. A mulher precisa falar, quebrar esse silêncio e ela pode ter certeza que no 180 terá atendimento humanizado e acolhedor”, afirmou.

Perfil das vítimas

Dados de 2025 apontam que as mulheres negras representaram 48% das vítimas de violência digital que procuraram o serviço. As mulheres brancas aparecem em seguida, com 34,2% dos registros.

A faixa etária mais atingida é a de 25 a 49 anos, que concentra 50,8% das denúncias. Além disso, cerca de 46% das vítimas estavam sem renda ou recebiam até um salário mínimo no momento da denúncia.

Orientação e coleta de provas

Além de registrar os casos, o Ligue 180 também orienta as vítimas sobre como reunir provas digitais, solicitar a remoção de conteúdos em plataformas online e buscar os canais adequados para registrar ocorrências criminais.

Projeto contra misoginia

Durante coletiva de imprensa, a ministra Márcia Lopes destacou a importância da aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.

Segundo ela, a medida poderá fortalecer o enfrentamento à violência de gênero, inclusive no ambiente digital, e ampliar as campanhas de conscientização sobre o tema.

O crescimento fez com que o ambiente virtual passasse da sétima para a quinta posição entre os principais locais onde as agressões são denunciadas. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Integração com estados

O Ministério das Mulheres também busca ampliar acordos de cooperação com os governos estaduais para melhorar o encaminhamento das vítimas aos serviços de proteção, assistência social e autonomia econômica.

Atualmente, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rondônia, Amazonas, Espírito Santo e Goiás ainda não possuem integração com a Central de Atendimento à Mulher.

Violência doméstica na Bahia

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) registrou mais de 10 mil denúncias de violência doméstica entre março de 2025 e março de 2026. O número representa um aumento significativo em relação ao período anterior, que contabilizou 8.106 casos. A maioria das vítimas é composta por mulheres. No mesmo intervalo, foram formalizadas 247 denúncias por feminicídio no estado.

Segundo o órgão, as denúncias têm como objetivo responsabilizar os autores e oferecer uma resposta institucional à violência extrema contra mulheres, que inclui agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, geralmente ocorridas no ambiente doméstico.

No mesmo período, o MP-BA se manifestou em 27.916 pedidos de medidas protetivas. O Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid) realizou mais de mil atendimentos a vítimas em 2025, oferecendo suporte jurídico, psicossocial e encaminhamento para a rede de proteção.

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