Pedras, carro danificado e escolta: árbitra denuncia ataque violento após jogo do Intermunicipal na Bahia
Danila Borges Martins afirma que foi alvo de agressões após a derrota de Ipirá nos pênaltis para Conceição do Coité e relata que precisou de escolta policial para deixar a cidade
Por Nilson Marinho.
Uma árbitra de futebol denuncia ter sido alvo de um ataque com pedras e ter encontrado o próprio carro com o vidro traseiro quebrado após atuar em uma partida do Campeonato Intermunicipal, no último domingo (18), em Ipirá, no centro-norte da Bahia.

Danila Borges Martins, de 35 anos, atuou na partida entre as seleções de Ipirá e Conceição do Coité, realizada no Estádio José Luís dos Santos. A confusão aconteceu após o apito final, quando o time anfitrião foi derrotado nos pênaltis. A reclamação era de que a arbitragem não teria marcado uma penalidade a favor da equipe da casa após um lance em que um atleta teria tocado a bola com a mão.
A árbitra afirma que, ainda nas dependências do estádio, pessoas que usavam camisas semelhantes às da diretoria da seleção de Ipirá teriam arremessado pedras em sua direção. Danila relata que não foi atingida porque conseguiu desviar.

Ao deixar o estádio e chegar ao local onde havia estacionado o carro, a profissional percebeu que o vidro traseiro do veículo estava quebrado. Segundo Danila, integrantes da equipe de arbitragem também teriam presenciado pessoas procurando os veículos com a intenção de atear fogo neles. O caso foi registrado inicialmente na 1ª Delegacia Territorial (DT) de Itaberaba como crime de dano.
Escolta e medo
Em entrevista ao Aratu On, Danila contou que precisou ser escoltada por agentes da Polícia Militar até a saída da cidade e afirmou ter ficado surpresa com o episódio, já que, segundo ela, sempre foi bem recebida no município.
“Eu estou com medo de alguma retaliação. Não sei se tenho coragem de retornar a Ipirá. Estou surpresa com o que aconteceu, porque sempre fui muito bem tratada na cidade, e essa confusão fugiu de tudo. Eles não respeitaram nem a Polícia Militar, que estava fazendo a nossa escolta e garantindo a nossa segurança”, relatou.

Ela não soube estimar o prejuízo causado pelos danos ao veículo. O carro, utilizado tanto para os deslocamentos a trabalho quanto para atividades do dia a dia, como levar a filha à escola, permanece parado por causa das avarias.
Posicionamento da Liga
Em nota enviada à reportagem, a Liga Desportiva de Ipirá (LIDI) informou que está apurando as circunstâncias relacionadas aos episódios ocorridos após a partida. A entidade afirmou ainda que não compactua com qualquer tipo de violência e que defende “o respeito, a responsabilidade e o espírito esportivo como princípios fundamentais para o futebol”.
“Reafirmamos nosso compromisso com a promoção de um esporte justo, transparente e pautado pelo respeito a todos os envolvidos, dentro e fora das quatro linhas. As situações estão sendo analisadas com a devida seriedade, para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e as providências cabíveis sejam avaliadas. A LIDI seguirá trabalhando em defesa do futebol ipiraense, prezando pela integridade dos atletas, torcedores, profissionais e de todos aqueles que fazem parte do esporte em nossa cidade”, diz trecho do comunicado.
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