Neto suspeito de matar avó em Salvador já havia denunciado maus-tratos praticados por ela
O neto alegou que sofria maus-tratos praticados pela avó; caso envolve ainda um histórico de denúncias e conflitos familiares
Por Bruna Castelo Branco.
A morte de Eliete Paixão dos Santos, de 58 anos, em Cosme de Farias, em Salvador, trouxe à tona um histórico de denúncias envolvendo a família. A mulher foi morta a golpes de arma branca na tarde de quinta-feira (10), na Travessa Araçatuba. O principal suspeito é o próprio neto dela, Carlos Daniel de Lima Barbosa dos Santos, de 19 anos.
Um adolescente de 17 anos, amigo de Carlos Daniel, também foi apreendido. Segundo a Polícia Civil, ele afirmou que apenas presenciou o ataque e negou participação nas agressões.

O caso ganhou novos elementos com a recuperação de registros de ocorrências anteriores envolvendo Eliete, o neto e o pai do adolescente. Meses antes da morte, avó e neto haviam apresentado relatos distintos de supostas agressões dentro da família.
Avó denunciou o próprio filho
Em janeiro de 2024, Eliete procurou a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca) para denunciar o próprio filho, pai de Carlos Daniel.
Segundo o registro, a mulher afirmou que criava o neto desde que ele tinha aproximadamente um ano de idade e relatou que o filho praticava agressões físicas e verbais contra o adolescente.
Na ocasião, Eliete também afirmou que o homem havia retirado o filho da escola e retido os documentos necessários para impedir que ela providenciasse uma nova matrícula.
O relato mostra que, naquele momento, a avó havia procurado as autoridades justamente para denunciar supostas agressões contra o neto que estava sob seus cuidados.
Meses depois, neto relatou agressões contra a avó
Em junho de 2024, cinco meses depois da denúncia feita por Eliete, Carlos Daniel, então com 16 anos, foi encaminhado pelo Conselho Tutelar à Dercca.
Segundo o registro, o adolescente relatou que sofria maus-tratos praticados pela própria avó. Ele afirmou que teria sido agredido com uma barra de ferro, fios e pedaços de madeira.
O jovem também relatou que era colocado para fora de casa em algumas ocasiões.
Assim, os registros anteriores ao crime apresentam versões distintas sobre conflitos e supostas agressões entre integrantes da mesma família: primeiro, Eliete denunciou o pai do adolescente por supostas agressões contra o filho; meses depois, o próprio adolescente relatou supostos maus-tratos praticados pela avó.

Suspeito teria alegado maus-tratos antes da morte
Após a morte de Eliete, Carlos Daniel teria alegado que a motivação do ataque estaria relacionada aos supostos maus-tratos que dizia sofrer da avó.
A mãe do adolescente de 17 anos também relatou que Carlos Daniel teria chamado o filho dela para participar do crime. O adolescente, porém, segundo a polícia, afirmou que apenas presenciou o ataque e negou envolvimento nas agressões.
Carlos Daniel foi apresentado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Já o adolescente foi levado para a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI).
Investigação
De acordo com a Polícia Civil, a DAI/Salvador lavrou um auto de apreensão em flagrante de ato infracional contra o adolescente de 17 anos e um auto de prisão em flagrante contra o homem de 19 anos.
A corporação informou ainda que guias para perícia e remoção foram expedidas e que diligências e oitivas são realizadas para esclarecer o caso.
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