Mulher que fingiu ter 12 anos é denunciada por estelionato e falsa identidade
A mulher foi presa no último dia 2 de junho após ter a farsa descoberta pela polícia
Por Victor Souza.
A mulher de 37 anos, que se passou por uma adolescente de 12, foi denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O documento protocolado na última segunda-feira (8) pediu que Amanda Maria Souza responda pelo crime de falsa identidade e estelionato.

No entanto, até esta terça-feira (9), não houve posicionamento da Justiça sobre aceitar o pedido do MP. A determinação pode ou não tornar Amanda ré.
A mulher foi presa no último dia 2 de junho após ter a farsa descoberta pela polícia.
Relembre o caso
Amanda Maria Souza de Oliveira, que se apresentava como "Gabriele", teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na última quarta-feira (3). A mulher chegou a ser acolhida por uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil, a suspeita viveu durante 14 meses como filha adotiva da família que a acolheu na cidade. Investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade, Amanda teria se aproximado das vítimas após procurar uma igreja e afirmar que havia fugido do Pará por sofrer maus-tratos. As investigações apontaram, no entanto, que ela é natural do Ceará.
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a mulher conquistou a confiança da comunidade religiosa, recebeu ajuda financeira dos fiéis e, posteriormente, foi acolhida por uma família que passou a oferecer moradia e suporte.
Para sustentar a falsa identidade de adolescente, Amanda alegava ter autismo e outras condições clínicas. Conforme a polícia, ela também dizia que sua aparência adulta era consequência do uso forçado de hormônios durante a infância, supostamente após ter sofrido abusos.
A família chegou a organizar uma festa de aniversário de 12 anos para a suspeita, custeou medicamentos para tratamento da obesidade e demonstrou interesse em formalizar a adoção. Segundo os investigadores, Amanda evitava discutir o assunto e alegava não possuir documentos pessoais.
Ainda conforme a Polícia Civil, ela convenceu os responsáveis a não matriculá-la em uma escola ao afirmar que seu suposto pai abusador poderia localizá-la. Os investigadores relataram também que a mulher mantinha comportamentos infantilizados, utilizando mamadeiras, chupetas e um objeto de apego para dormir.
As suspeitas surgiram após uma parente da família desconfiar da história apresentada por Amanda. Segundo o delegado, a mulher pesquisou informações na internet e encontrou um caso semelhante ocorrido no Rio de Janeiro.
"Foi uma familiar que nunca acreditou na versão de que ela era menor de idade. Ela encontrou um caso muito parecido, com o mesmo modus operandi, e alertou o pai adotivo", afirmou o delegado.
A partir das investigações, a polícia identificou que Amanda já teria aplicado golpes semelhantes em outros estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Como a mulher foi encontrada
Uma pesquisa na internet foi fundamental para que uma família de Joinville, em Santa Catarina, descobrisse que a adolescente de 12 anos que havia sido acolhida como filha adotiva era, na verdade, uma mulher de 37 anos investigada por aplicar golpes semelhantes em diferentes estados brasileiros.
A suspeita, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, se apresentava como "Gabriele" e conseguiu convencer um casal a recebê-la em casa. A situação começou a despertar desconfiança quando uma familiar dos adotantes passou a questionar algumas histórias contadas pela suposta adolescente.
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a mulher que a jovem chamava de tia decidiu pesquisar na internet ocorrências envolvendo pessoas que fingiam ser crianças ou adolescentes. Durante as buscas, ela encontrou reportagens publicadas em 2023 sobre uma mulher investigada por um golpe semelhante no Rio de Janeiro.
Além das semelhanças na narrativa apresentada, a aparência física da suspeita também chamou a atenção da familiar. As informações foram compartilhadas com o pai adotivo, que inicialmente não acreditou na possibilidade de fraude. No entanto, após assistir às reportagens, ele também passou a notar coincidências entre a mulher retratada nas notícias e a jovem que vivia em sua residência.
Diante das suspeitas, a família procurou a Polícia Civil de Joinville no fim de maio. As investigações confirmaram que a suposta adolescente era Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos. Ela foi presa na última terça-feira (2) e indiciada por falsa identidade e estelionato na sexta-feira (5).
Durante depoimento, Amanda admitiu ter utilizado o mesmo método em diferentes regiões do país. De acordo com a Polícia Civil, ela confessou ter aplicado golpes semelhantes em pelo menos cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará.

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