Incêndio no Stiep: vizinhos relatam ‘crise de pânico’ e prejuízos do acidente

O Aratu On conversou com vizinhos do prédio vítima de um incêndio no Stiep, que relataram as dificuldades causadas pela explosão

Por Lucas Pereira.

Um dia após o incêndio no Stiep, que destruiu parte de um prédio residencial no Vale dos Rios, moradores do imóvel atingido seguem impedidos de acessar as residências até que seja feita a vistoria da Defesa Civil de Salvador (Codesal). Porém, o acidente ocorrido na manhã de sexta-feira (27) também impactou a vida de quem mora no entorno do epicentro da explosão.

 Incêndio no Stiep: Vizinhos relatam ‘crise de pânico’ e prejuízos do acidente. Foto: Leitor/Aratu On

O Aratu On conversou com moradores de prédios vizinhos ao condomínio, que relataram prejuízos causados pelo acidente, tanto no aspecto material, quanto no aspecto da saúde.

Para quem viu tudo da janela de casa, o susto foi grande e os impactos vão além do raio de explosão. Moradora do prédio em frente ao Bloco A, onde ocorreu o incêndio, Nátaly Pimentel trabalhava de casa no momento do acidente; uma sorte, já que ela e marido costumam passar pelo prédio acidentado para ir presencialmente ao serviço.

“A gente costuma fazer o trajeto bem na passagem onde ocorreu a explosão, nesse horário, todos os dias. Nossa sorte é que ficamos escalados para home office”.

Segundo a vizinha, a primeira impressão deles é que “um poste de energia que tinha caído, de tão forte [que foi o barulho]”. Somente após abrir as janelas e ver as chamas, o casal se deu conta da gravidade da situação.

“Nossa janela quebrou inteira, sorte que temos adesivo nela, se não teria nos machucado”, relatou

 

Foto: Acervo Pessoal

 

Nátaly relatou ainda que “foi tudo muito rápido” entre a explosão e o desabamento de parte da estrutura, e que a preocupação maior foi com os vizinhos mais idosos: “A maior questão é por que nós, vizinhos, não sabíamos como ajudar. Tinha uma boa parcela de idosos passando mal. Então, quando saí para ajudar, fornecer água ou algo que precisassem, comecei a ver a cena mais de perto, de gente passando mal”, contou a jovem.

Com tudo o que foi vivenciado, a moradora afirmou que teve uma “crise de pânico” ao presenciar “todo o horror de perto” e se colocar no lugar dos vizinhos, pensando que poderia ser com ela e o marido. Como o companheiro de Nátaly tem asma, eles optaram por ficar fora de casa nos próximos dias, até que a situação se normalize. 

Para além dos prejuízos financeiros, no caso deles, uma janela destruída, o impacto psicológico é o mais significativo.

 Foto: Acervo Pessoal

Busca por assistência e receio

Para quem soube do incêndio no Stiep por terceiros, a situação também não foi nada fácil. Outro vizinho do Bloco A, André de Oliveira, de 54 anos, trabalhava na Prefeitura-Bairro do Rio Vermelho, quando descobriu da explosão.

Quer ser avisado primeiro sobre casos como este? Clique AQUI e entre no canal de segurança do Aratu ON no WhatsApp para receber notícias em tempo real.

Liberado mais cedo após uma vizinha ligá-lo, André largou tudo e seguiu para o local. Quando chegou, a situação já estava sob controle no prédio que pegou fogo, mas no apartamento onde mora, nem tanto.

“Espatifou as portas da sala, do armário da cozinha e até as janelas. Nunca vi um negócio daquele”, desabafou André. Além disso, o prédio foi afetado com a onda de choque e rachaduras teriam surgido na estrutura.

Apesar de estar na casa da mãe há algumas semanas, também no Stiep, André está preocupado com os prejuízos. Ele, assim como outros tantos moradores da área, aguardam o resultado da vistoria da Codesal, que deve sair durante a semana.

“Vamos ver aí o que a Prefeitura vai poder fazer por todos. Seja com auxílio ou outra coisa; vamos ter que aguardar os resultados”.

Bruno Reis acompanha vistoria

O prefeito de Salvador, Bruno Reis, participou da vistoria ao prédio atingido por um incêndio no bairro do Stiep, na última sexta-feira (27). Na visita, ocorrida neste sábado, detalhou ações emergenciais adotadas de assistência aos moradores e os próximos passos para definição do futuro do imóvel, que acabou parcialmente destruído.

Segundo a Prefeitura, cerca de 90 moradores precisaram deixar suas casas por causa da explosão, ocorrida por um vazamento de gás, de acordo com informações preliminares. O acesso às áreas internas do prédio só será liberado neste domingo (29), quando as equipes da Codesal poderão iniciar as inspeções detalhadas. 

Quatro prédios acabaram isolados por prevenção. O laudo técnico preliminar sobre as estruturas deve ficar pronto até o meio da próxima semana. Bruno explicou que apenas com esse documento será possível determinar a extensão dos danos e quais providências deverão ser tomadas. 

Foto: Betto Jr/Secom PMS

Assistência aos moradores

 

Ao comentar sobre os impactos sofridos pelas famílias do condomínio, o prefeito relatou que muitas delas, infelizmente, chegaram ao local abaladas por verem os seus lares destruídos. Bruno Reis lamentou profundamente o ocorrido, destacando que a Prefeitura já iniciou o atendimento emergencial aos desabrigados, tanto no amparo emocional como financeiro.

“De imediato, oferecemos a elas as nossas unidades de acolhimento e o aluguel social. As famílias preferiram ir para casas de parentes. Algumas, inclusive, já solicitaram o auxílio emergencial do município para comprar eletrodomésticos e móveis perdidos; outras, demandaram um auxílio alimentação do município e com medicamentos. Estamos oferecendo todo o apoio e suporte”, disse.

Incêndio deixou moradores em pânico

Ontem (27), no momento do incêndio, uma vizinha do prédio relatou que ouviu o estrondo e saiu correndo para a rua. Ela contou que viveu momentos de puro pânico ao ver um morador ameaçando se jogar do prédio com medo do fogo.

O senhor pensou em se jogar de tanto medo, a gente ficou tentando dizer para ele não se jogar. Até dois bombeiros passaram mal”, afirmou, ainda emocionada.

Durante a operação de resgate, quatro bombeiros ficaram feridos ao serem atingidos por destroços. Um deles teria sofrido ferimentos graves, porém, felizmente, os militares já tiveram alta médica. Neste sábado, o trabalho de rescaldo continua e somente depois de finalizado, a Codesal e a Polícia Civil poderão avaliar tecnicamente a situação do local. 

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.