Filho de vereadora que atropelou atleta em Salvador pode ir a júri popular; entenda
Atleta atropelado por filho de vereadora teve a perna direita amputada após ser atingido enquanto treinava na orla de Salvador
Por Victor Hernandes.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) pediu que o empresário Cleydson Cardoso Costa Filho seja submetido a júri popular pelo atropelamento do maratonista Émerson Pinheiro, de 30 anos. O caso aconteceu em agosto de 2025, na Avenida Octávio Mangabeira, na orla de Salvador.

Émerson treinava na região da Pituba quando foi atingido pelo veículo. Em consequência do atropelamento, o atleta teve a perna direita amputada. Segundo o pedido apresentado pelo MP-BA, o caso é tratado como tentativa de homicídio duplamente qualificada.
O documento reúne depoimentos da vítima e de testemunhas, além de elementos técnicos utilizados na investigação.
Laudo aponta velocidade acima do permitido
De acordo com informações divulgadas pela defesa de Émerson, um dos laudos periciais utilizados no processo aponta que o veículo conduzido por Cleydson trafegava a quase 90 km/h no trecho onde ocorreu o atropelamento.
A defesa afirma que a via tinha velocidade máxima regulamentada de 40 km/h. O documento técnico também teria indicado que o veículo já apresentava velocidade acima do limite permitido antes do momento da colisão.
As informações sobre o laudo foram divulgadas pelo advogado que representa o atleta no processo.
Testemunha relata outros episódios antes do atropelamento
Durante uma audiência realizada no Fórum Criminal, em Sussuarana, uma testemunha de acusação considerada relevante foi ouvida no processo. Segundo o advogado de acusação, Rogério Matos, a testemunha afirmou ter visto Cleydson direcionar o veículo contra outros corredores antes de atingir Émerson.
“Foi colhida a oitiva de uma testemunha que faltava de acusação, que é bastante importante”, afirmou o advogado. Segundo ele, o relato apresentado à Justiça descreve que o empresário teria direcionado o carro contra outros corredores antes da colisão com Émerson.
Ainda conforme a acusação, duas testemunhas de defesa também foram ouvidas. De acordo com o advogado, elas prestaram depoimentos relacionados ao comportamento e ao caráter de Cleydson. A defesa do empresário deverá apresentar sua versão dos fatos durante o andamento do processo.
Caso pode ir a júri popular
Com o pedido do MP-BA, caberá à Justiça analisar se Cleydson deverá ser submetido ao Tribunal do Júri. A decisão sobre o julgamento popular ainda depende do andamento do processo e da análise judicial dos elementos reunidos nos autos.
O pedido do Ministério Público representa a posição da acusação e não significa, por si só, que Cleydson tenha sido condenado pelo crime atribuído a ele.
O caso teve início após o atropelamento de Émerson, que sofreu graves ferimentos e precisou passar por procedimentos médicos que resultaram na amputação da perna direita.
Entenda o caso
O corredor Emerson Pinheiro, de 35 anos, atropelado na orla da Pituba no dia 16 de agosto, teve parte da perna direita amputada. Ele foi atingido por um carro enquanto treinava, por volta das 5h40, e foi levado em estado grave para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde foi submetido à cirurgia.
O motorista foi identificado como Cleydson Cardoso Costa Filho, filho da vereadora de Salvador Débora Santana (PDT). Conforme informações da Polícia Militar (PM), ele foi detido e "apresentava sinais de embriaguez" no momento do acidente.

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