Defesa denuncia demora no socorro após advogada ser encontrada inconsciente em presídio
A advogada Fernanda Oliveira Borges foi encontrada inconsciente, na madrugada desta quinta-feira (24), no Conjunto Penal Feminino
Por Da redação.
A advogada Fernanda Oliveira Borges foi encontrada inconsciente, na madrugada desta quinta-feira (24), no Conjunto Penal Feminino, na Mata Escura, em Salvador. Ela está custodiada na unidade após ser presa durante a Operação Sintonia de Gravata, que investiga um suposto esquema de comunicação ilícita entre integrantes de organizações criminosas dentro e fora de presídios da Bahia.
Em entrevista ao programa Alô Juca, da TV Aratu, desta quinta-feira (24), os advogados de Fernanda deram detalhes sobre a ocorrência. Segundo a defesa, a advogada, apontada como a primeira mulher trans a exercer a advocacia na Bahia, foi encontrada por volta das 2h na Casa do Albergado e Egresso (CAE).

Ainda de acordo com os advogados, o socorro teria demorado cerca de duas horas para chegar. Uma outra advogada custodiada na unidade teria precisado forçar uma grade para pedir ajuda e prestar os primeiros atendimentos a Fernanda.
A defesa também denunciou a falta de estrutura de Sala de Estado Maior no local onde as profissionais estão custodiadas e afirmou que não há agentes penitenciários durante o período noturno. Segundo os advogados, as detentas ficam sem fiscalização entre as 16h e a manhã do dia seguinte.
Os representantes de Fernanda afirmaram ainda que esta seria a terceira tentativa de suicídio registrada na unidade e cobraram medidas para que as advogadas presas durante a Operação Sintonia de Gravata possam responder aos processos em liberdade. Veja a entrevista:
Atendimento médico
Segundo informações iniciais, Fernanda teria tentado tirar a própria vida e foi encontrada por outras pessoas que estavam no local. Conforme relatos de colegas, o atendimento oficial teria ocorrido por volta das 4h, após uma advogada que estava na unidade prestar os primeiros socorros.
Apesar da gravidade da situação, Fernanda recebeu atendimento médico inicial no próprio albergue. Segundo a defesa, ela não corre risco de morte e foi posteriormente transferida sob escolta policial para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por exames.
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que uma custodiada do Conjunto Penal Feminino de Salvador apresentou uma situação de risco à própria integridade física.
A secretaria afirmou ainda que a equipe de plantão interveio imediatamente e preservou a vida da interna. Na sequência, foram adotados os protocolos de assistência, com avaliação pela equipe de saúde.
"A custodiada permanece sob acompanhamento e observação das equipes técnicas da unidade, que seguem adotando as medidas necessárias à sua assistência e segurança", finalizou.
Prisão durante operação
Fernanda Oliveira Borges está entre as oito pessoas presas durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada para investigar um suposto esquema de comunicação ilícita entre integrantes de organizações criminosas dentro e fora de unidades prisionais da Bahia.
A operação foi realizada de forma integrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e cumpriu 22 mandados de prisão preventiva. A investigação apura ainda a atuação de facções criminosas, o tráfico de drogas e a circulação de armas no sistema prisional baiano.
A advogada virou alvo da investigação após ser registrada por câmeras de segurança durante um atendimento a um detento no Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha.
As imagens, divulgadas pela TV Globo, mostram Fernanda retirando papéis escondidos nas vestimentas durante o encontro com o cliente. Segundo as investigações, os documentos conteriam informações relacionadas ao tráfico de drogas e a cobranças e teriam sido entregues ao preso durante o atendimento.

Fernanda representava Marlos Araújo Souza Júnior, conhecido pelos apelidos "Bolão" e "CRM Júnior". Conforme as investigações, ele é apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), organização criminosa com atuação no município de Senhor do Bonfim, no norte da Bahia.
A Operação Sintonia de Gravata apura ainda a participação de outros envolvidos no suposto esquema. As investigações permanecem em andamento.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).