Caso ferro-velho: empresário passa a responder em liberdade por morte de jovens

Empresário do caso ferro-velho, Marcelo Batista passa a usar tornozeleira eletrônica como medida cautelar

Por Anna Caroline Santiago.

A Justiça determinou, nesta quinta-feira (14), a soltura do empresário Marcelo Batista da Silva, de 41 anos. Detido no Complexo Penitenciário da Mata Escura, o investigado responderá em liberdade pelo assassinato dos jovens Paulo Daniel Pereira Gentil do Nascimento de 24 anos e Matusalém Silva Muniz, de 25.

Caso ferro-velho: empresário passa a responder em liberdade por morte de jovens.Foto: Reprodução

Apesar da decisão judicial favorável, até o momento não há confirmação de que o empresário tenha deixado o presídio. Segundo a decisão à qual o Aratu On teve acesso, o empresário deverá cumprir a pena por homicídio qualificado em prisão domiciliar, com uma série de medidas cautelares.

As medidas incluem o uso de tornozeleira eletrônica e a permissão para que o empresário deixe sua residência para trabalhar. Marcelo poderá administrar sua empresa, a Prometais, de segunda a sábado, das 6h às 20h.

Além do homicídio qualificado dos jovens, o empresário também responde por tentativa de homicídio contra três pessoas, incluindo dois ex-funcionários que sobreviveram a disparos de arma de fogo.

Relembre caso ferro velho

O caso ferro-velho de Pirajá completou um ano em novembro de 2025. O desaparecimento de Paulo Daniel, de 23 anos, e Matusalém Silva Muniz, de 25, foi registrado em 4 de novembro de 2024, após familiares denunciarem o sumiço dos dois jovens.

De acordo com a mãe de Paulo, Mari Pereira, o proprietário do ferro-velho, Marcelo Batista, confirmou que o rapaz chegou para trabalhar normalmente, mas desapareceu logo em seguida. Antes do ocorrido, o empresário havia acusado Paulo de roubo, mas não chegou a registrar queixa contra ele.

Já Matusalém Silva Muniz teria desaparecido após sair do trabalho para almoçar na região. Fontes que preferiram não se identificar informaram às famílias das vítimas que os dois jovens teriam sido executados pelo dono do estabelecimento. Eles teriam sido amarrados e torturados com pauladas antes de serem mortos.

Foto: Redes sociais

No dia seguinte ao desaparecimento (5 de novembro), o Corpo de Bombeiros iniciou as buscas pelos rapazes. Cães farejadores foram utilizados no terreno do ferro-velho e confirmaram que Paulo e Matusalém estiveram no local. Uma meia e um tênis de Paulo também foram encontrados.

A Polícia Civil identificou vestígios de sangue em um recipiente de lixo. Além disso, o sistema de câmeras de segurança — composto por mais de 50 equipamentos — foi encontrado destruído. “Cabe destacar que praticamente todo o monitoramento foi inutilizado e possivelmente continha imagens da tortura e execução das vítimas”, apontaram os investigadores em relatório.

Os corpos dos jovens continuam desaparecidos. Em março, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) revogou um mandado de prisão contra Marcelo Batista.

Na mesma decisão, outros dois homens investigados por participação no crime — Marcelo Durão Costa e Clóvis Antônio Santana Durão Júnior — tiveram liberdade provisória concedida. A decisão, proferida em 25 de fevereiro pelo juiz Vilebaldo José de Freitas Pereira, beneficiou a dupla.

Quem é Marcelo Batista

Marcelo Batista da Silva, dono do ferro-velho, é o principal suspeito de matar e ocultar os corpos dos dois funcionários do próprio estabelecimento.

Assim como Paulo e Matusalém, outro homem identificado como Adson também foi acusado de roubo pelo empresário. As investigações iniciais indicam que, antes de ser morto, ele foi interrogado sobre o suposto furto de metais e assassinado por policiais.

A polícia acredita que a morte de Adson e de sua companheira foi encomendada por Marcelo e executada por policiais militares envolvidos com milícias. Um desses agentes foi preso por extorsão mediante sequestro na Paraíba e por tráfico de armas em Alagoas.

No dia 11 de setembro, o empresário foi solto após ter sido preso sob suspeita de tentativa de homicídio contra outras três pessoas em Salvador, conforme confirmou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

A prisão preventiva havia sido decretada em 26 de agosto e cumprida durante uma operação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Marcelo foi localizado em um ferro-velho de sua propriedade, também no bairro de Pirajá.

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