Acusados em morte que envolveu músicos da Osba vão a audiência em Salvador

O caso, envolvendo músicos da Osba, ganhou repercussão após a denúncia de que quatro pessoas teriam participado das agressões que resultaram na morte da vítima

Por Dinaldo dos Santos.

A Justiça da Bahia realiza nesta quinta-feira (11) a primeira audiência de instrução do processo que apura a morte de um homem após uma agressão, envolvendo músicos da Osba, registrada no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador. A sessão acontece, no Fórum Criminal de Sussuarana, e representa uma etapa importante para o andamento da ação penal.

Acusados em caso de morte no Corredor Da Vitória. Foto: Reprodução | TV Aratu

O caso ganhou repercussão após a denúncia de que quatro pessoas teriam participado das agressões que resultaram na morte da vítima. Entre os réus estão os ex-integrantes da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) Lincoln Sena Pinheiro e Laércio Souza dos Santos. Também respondem ao processo Marcelo da Cunha Rodrigues Machado e Sérgio Ricardo Souza Menezes.

Durante a audiência de instrução, devem ser ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além dos próprios acusados, conforme determinação judicial. A fase é considerada fundamental para a coleta de provas e esclarecimento dos fatos que serão analisados pelo Judiciário.

A morte ocorreu há cerca de dois anos e desde então o caso vem sendo acompanhado por familiares da vítima, autoridades e pela sociedade civil. A expectativa é que os depoimentos prestados nesta quinta contribuam para o avanço do processo e para a definição dos próximos passos da ação criminal.

Homem foi vítima de espancamento no Corredor da Vitória. Foto: Reproduçãao | TV Aratu

Os quatro acusados respondem às acusações no âmbito da Justiça estadual e terão a oportunidade de apresentar suas versões sobre os acontecimentos durante a instrução processual. Após essa etapa, o juiz responsável pelo caso poderá decidir sobre o prosseguimento da ação com base nas provas reunidas ao longo do processo.

Violência em Salvador

Como a quinta capital mais populosa do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza, Salvador enfrenta um dos maiores desafios da sua história recente: a segurança pública. Ranqueada como a capital mais violenta do país em 2024 pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cidade registra índices alarmantes de homicídios, crimes armados e violência urbana.

Para traçar um panorama dos casos mais recentes, o Aratu On consultou registros da Polícia Civil referentes ao primeiro semestre de 2025. Entre janeiro e junho, foram contabilizados 378 homicídios dolosos - quando há intenção de matar - sendo 95% das vítimas homens e 5% mulheres. Ainda foram registrados 10 casos de latrocínio (roubo seguido de morte).

No Anuário de Segurança Pública, que mede homicídios e lesões graves com intenção de matar, Salvador apresentou taxa de 52 mortes por 100 mil habitantes, acima da média nacional, de 20,4.

No total, 1.335 mortes violentas foram registradas na cidade nesse período, representando quase 30% do índice nacional em apenas seis meses. Segundo o anuário, a capital baiana ultrapassou Macapá, enquanto a Bahia se mantém como o segundo estado mais violento do país, atrás apenas do Amapá.

+ Mortos em chacinas policiais crescem 235% no primeiro semestre de 2025

Dados do Instituto Fogo Cruzado, que monitora a violência armada, mostram que entre janeiro e junho de 2025, Salvador registrou 485 mortos e 129 feridos por armas de fogo. Embora o número de tiroteios tenha caído 9% em relação ao mesmo período de 2024 - passando de 917 para 839 episódios - houve aumento no número de baleados: 864 pessoas atingidas, metade delas (50%) durante operações policiais.

Dessas vítimas, 305 morreram e 42 ficaram feridas. Entre os confrontos com agentes, 42% dos tiroteios, 43,5% das mortes e 26% dos feridos ocorreram durante ações policiais.

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