Ver muitos Reels e TikToks prejudica a saúde dos olhos

Um estudo realizado na Índia acendeu um alerta sobre os impactos do consumo de vídeos curtos no celular na saúde ocular

Por Bruna Castelo Branco.

Fonte: Fernanda Bassette - Agência Einstein

Um estudo realizado na Índia acendeu um alerta sobre os impactos do consumo de vídeos curtos no celular na saúde ocular. Ao comparar leitura de e-books, vídeos convencionais e conteúdos curtos e dinâmicos, comuns nas redes sociais, pesquisadores identificaram que esse último formato provoca maior sobrecarga visual, com redução da frequência de piscadas e maior oscilação no tamanho da pupila — sinais associados à fadiga ocular digital.

A pesquisa, publicada no Journal of Eye Movement Research, acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo do smartphone. Para o monitoramento, foi desenvolvido um sistema portátil com câmera infravermelha e microprocessador, capaz de medir em tempo real a taxa de piscadas, o intervalo entre elas e o diâmetro da pupila, sem interferir no uso natural do aparelho.

Um estudo realizado na Índia acendeu um alerta sobre os impactos do consumo de vídeos curtos no celular na saúde ocular. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Os resultados indicaram queda significativa na frequência de piscadas em todas as atividades analisadas. No entanto, enquanto leitura e vídeos longos mantiveram relativa estabilidade no diâmetro da pupila, os vídeos curtos provocaram variações mais intensas, indicando maior esforço do sistema visual.

“A fadiga ocular, clinicamente chamada de astenopia, é um conjunto de sintomas que surge quando o sistema visual fica sobrecarregado por esforço contínuo, especialmente em tarefas de perto”, explica o oftalmologista Lucas Zago, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. Segundo ele, o problema está associado à redução das piscadas, ao esforço de foco e a fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada.

De acordo com o especialista, vídeos curtos — comuns em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube — exigem adaptação constante dos olhos. “Eles são compostos por mudanças rápidas e constantes de brilho, contraste e imagens. Isso exige uma adaptação contínua do sistema visual, fazendo com que a pupila se contraia e dilate o tempo todo”, afirma.

A pesquisa, publicada no Journal of Eye Movement Research, acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo do smartphone. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Na prática clínica, o fenômeno já é observado com frequência. “Temos observado um aumento de pacientes com queixas visuais associadas ao uso intenso de redes sociais. Alguns centros, inclusive, têm chamado esse conjunto de sintomas de uma espécie de reel vision syndrome”, relata Zago.

Uso intenso e sintomas crescentes

O estudo surge em um contexto de uso cada vez mais intenso de smartphones. Em 2023, mais de 68% da população mundial possuía um celular. No Brasil, em 2024, 167,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais tinham aparelho próprio, o equivalente a 88,9% dessa população, segundo a PNAD Contínua do IBGE.

Entre os participantes da pesquisa indiana, 60% relataram desconforto ocular, dor no pescoço ou fadiga nas mãos, e 83% associaram o excesso de tela a ansiedade, distúrbios do sono ou exaustão mental. Para os olhos, os efeitos podem ir além do incômodo momentâneo. “No curto prazo, podem surgir ardor, lacrimejamento, visão borrada e dor de cabeça. No longo prazo, a redução frequente das piscadas pode piorar quadros de olho seco”, alerta o médico.

O estudo surge em um contexto de uso cada vez mais intenso de smartphones. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Prevenção e cuidados

Especialistas recomendam a adoção da regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de seis metros de distância. Também é indicado ajustar o brilho da tela, evitar o uso do celular no escuro, manter distância adequada dos olhos e piscar com mais frequência. Em alguns casos, lágrimas artificiais podem ser utilizadas, com orientação médica.

Crianças merecem atenção especial. “Aquelas abaixo de 2 anos não devem ter nenhuma exposição a telas, e o uso excessivo está associado a maior risco de desenvolvimento e progressão da miopia”, destaca Zago. Segundo ele, estimular atividades ao ar livre e o uso consciente das telas é fundamental para preservar a saúde ocular desde cedo.

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.