Obesidade infantil cresce 4 vezes desde 1990, diz OMS
Documento traz recomendações diferentes para crianças e adolescentes
Por Isabela Cardoso.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quarta-feira (7) o primeiro guia específico para o enfrentamento da obesidade em crianças e adolescentes. O documento apresenta orientações de tratamento conforme a idade e aborda também aspectos relacionados à saúde mental.
A publicação ocorre diante do avanço da doença entre pessoas de 5 a 19 anos. Segundo a OMS, a prevalência da obesidade nessa faixa etária quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.
Em 2024, cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes eram obesos. Desse total, 70 milhões tinham entre 5 e 9 anos, enquanto outros 100 milhões estavam na faixa dos 10 aos 19 anos.
OMS recomenda mudança de hábitos no tratamento
Para crianças e adolescentes com obesidade, a OMS recomenda intervenções estruturadas que combinem alimentação, atividade física e mudanças de comportamento.
As estratégias podem ser aplicadas individualmente ou dentro de programas que reúnam diferentes formas de cuidado. A entidade também recomenda, de forma condicional, intervenções de saúde digital, desde que realizadas com supervisão dos pais ou responsáveis.
A OMS classifica a obesidade como uma doença crônica e recorrente. Segundo a entidade, seus efeitos podem aparecer ainda durante a infância e aumentar o risco de doenças não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Crianças de até 9 anos não devem usar medicamentos
O novo guia estabelece restrições específicas para os primeiros anos da infância. A OMS não recomenda tratamento farmacológico, cirurgia bariátrica ou dispositivos para perda de peso para crianças de até 9 anos.

A orientação prioriza intervenções relacionadas ao estilo de vida e mudanças de comportamento nessa faixa etária.
Adolescentes podem usar canetas emagrecedoras
Para adolescentes entre 10 e 19 anos, a recomendação é diferente. Medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras, podem ser considerados em determinadas situações.
Segundo a OMS, essa possibilidade deve ser avaliada quando um programa multimodal de mudança de estilo de vida, realizado sob supervisão, não tiver alcançado os resultados esperados.
A recomendação, portanto, está associada a um acompanhamento estruturado e não indica o uso dos medicamentos de forma isolada.
Cirurgia bariátrica exige condições rigorosas
A cirurgia bariátrica também pode ser considerada para adolescentes, mas apenas em situações específicas. A OMS afirma que o procedimento pode ser avaliado para adolescentes com obesidade grave e sob condições rigorosas.
A orientação faz parte de uma abordagem que diferencia as estratégias de acordo com a idade e a gravidade do quadro.
Saúde mental também deve fazer parte do cuidado
Embora o foco principal do documento seja o enfrentamento da obesidade, a OMS também chama atenção para questões relacionadas à saúde mental.
Ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional podem contribuir para hábitos alimentares pouco saudáveis, sedentarismo e isolamento social. Além disso, crianças e adolescentes com obesidade podem enfrentar estigma, discriminação e bullying.
Por isso, a organização recomenda que profissionais de saúde abordem precocemente a obesidade e os problemas de saúde mental de forma conjunta, com estratégias adequadas ao estágio de desenvolvimento e participação da família.
OMS defende mudanças além do tratamento
Para a organização, o atendimento individual não é suficiente para reverter o crescimento da obesidade entre crianças e adolescentes.
A OMS também defende políticas que tornem a alimentação saudável e a atividade física mais acessíveis e com custos mais viáveis para a população. As medidas propostas envolvem diferentes áreas, incluindo educação, planejamento urbano, transporte e proteção social.
A entidade considera que a combinação entre cuidados de saúde e ações voltadas ao ambiente em que crianças e adolescentes vivem é necessária para enfrentar o avanço da obesidade nessa faixa etária.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
