O que é hantavírus? Conheça sintomas, transmissão e riscos da doença
O hantavírus é um grupo de vírus associado principalmente a roedores e capaz de causar uma infecção rara
Por Bruna Castelo Branco.
O hantavírus é um grupo de vírus associado principalmente a roedores e capaz de causar uma infecção rara, mas considerada grave, com manifestações respiratórias ou renais.
Recentemente, casos suspeitos registrados em um cruzeiro no Oceano Atlântico colocaram a doença sob monitoramento da OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo a entidade, os casos ocorreram a bordo do navio MV Hondius, que fazia uma rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde. Há registros de mortes e pacientes em estado grave.
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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou, neste domingo (10), a primeira morte por hantavírus registrada no Brasil em 2026. A vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, que apresentou sintomas após exposição a roedores silvestres em uma área de lavoura.
Além disso, a Itália colocou quatro pessoas em vigilância e quarentena preventiva após um breve contato com uma mulher que morreu de hantavirose relacionada ao surto registrado no navio de cruzeiro, segundo a ANSA Brasil.
Mas, apesar da investigação em andamento, a OMS avalia que o risco para a população em geral permanece baixo. “Não há necessidade de pânico ou restrições de viagem”, afirmou Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa.

Como se pega a doença?
A principal forma de transmissão do hantavírus ocorre pela inalação de partículas presentes em urina, fezes ou saliva de roedores infectados. O contágio costuma acontecer quando esses resíduos ficam suspensos no ar, especialmente em ambientes com acúmulo de excrementos.
O contato direto com secreções de roedores também pode transmitir o vírus. De acordo com especialistas, o hantavírus está mais associado a roedores silvestres de áreas rurais e florestais do que a ratos urbanos.
No Brasil, a maior parte dos casos foi registrada em zonas rurais, conforme dados do Ministério da Saúde referentes ao período entre 1993 e 2024.

Transmissão entre humanos é rara
A transmissão entre humanos é considerada rara e está ligada à cepa Andes. Segundo especialistas citados pela OMS, os casos costumam exigir contato próximo, como compartilhar cama ou alimentos.
A OMS e o governo da África do Sul confirmaram que a cepa identificada no cruzeiro foi a Andes, única variante com transmissão documentada de pessoa para pessoa. Autoridades sul-africanas informaram ter identificado a cepa em dois passageiros desembarcados no país, enquanto autoridades suíças relataram o mesmo vírus em um paciente hospitalizado.

Quais são os sintomas?
A hantavirose pode evoluir para quadros graves que atingem pulmões ou rins, dependendo da variante do vírus. A doença pode provocar síndrome cardiopulmonar ou febre hemorrágica com síndrome renal.
Os sintomas iniciais podem se assemelhar aos de uma virose comum, incluindo febre alta, dor de cabeça, dor lombar e problemas gastrointestinais.

Na forma cardiopulmonar, o quadro respiratório pode se agravar rapidamente. Entre os sintomas estão tosse seca, falta de ar, edema pulmonar e queda da pressão arterial. O risco de morte pode chegar a cerca de 50% dos casos, embora pacientes que sobrevivem geralmente se recuperem em até três semanas.
Já nos casos que afetam os rins, a gravidade varia e pode incluir insuficiência renal, queda acentuada da pressão arterial, ausência de urina e presença de sangue na urina ou nas fezes.

Existe tratamento?
Não existe tratamento específico para a hantavirose. O atendimento é baseado em medidas de suporte, de acordo com a gravidade do quadro clínico.
Na síndrome cardiopulmonar, os pacientes podem necessitar de oxigênio, medicamentos para estabilizar a pressão arterial, ventilação mecânica e, em alguns casos, máquinas de oxigenação do sangue.
Quando há comprometimento renal, o tratamento pode incluir diálise e uso de medicamento antiviral. As medidas adotadas variam conforme a evolução da doença e a resposta de cada paciente.

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