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Médicos do Hospital Roberto Santos pedem demissão após cinco meses sem salário e desfalque na equipe

Grupo de 25 médicos do Hospital Roberto Santos afirma que está há cinco meses sem receber salário; Sesab nega interrupção dos serviços e se pronuncia sobre atraso de pagamentos

Por Laraelen Oliveira.

Vinte e cinco cirurgiões gerais do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, comunicaram ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) a decisão de realizar um desligamento programado das escalas da unidade. Entre os motivos apontados pelo grupo estão atrasos de pagamentos que chegaram a somar cinco meses sem salário.

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A possibilidade de demissão de médicos em hospitais públicos pode gerar impactos na organização das escalas e na capacidade de atendimento/Foto: Reprodução 

Outra situação grave aconteceu com pacientes em tratamento de hemodiálise que foram surpreendidos por um vazamento de esgoto dentro do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador. Segundo denúncias, o problema ocorreu na sala onde os procedimentos são realizados. O hospital havia recebido um contrato para obras de reforma e ampliação, com investimento em torno de R$ 20 milhões em 2020.

Médicos do Hospital Roberto Santos relatam sobrecarga e acionam Cremeb 

Os profissionais foram representados pela advogada Ana Caroline Amoedo em uma reunião realizada na última segunda-feira (17), na sede do Cremeb. O grupo buscou apoio institucional diante dos impactos provocados pela inadimplência e pela redução progressiva do número de médicos nas escalas.

De acordo com os relatos apresentados ao Conselho, o desfalque nas equipes têm provocado sobrecarga para os profissionais que permanecem nos plantões. Os médicos também apontaram uma defasagem nos valores pagos pelos plantões, considerados incompatíveis com a complexidade dos atendimentos realizados no hospital.

A situação foi formalizada junto ao Cremeb como uma tentativa de buscar medidas que evitem prejuízos tanto aos profissionais quanto aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes de uma demissão, médicos contratados por diferentes vínculos podem estar sujeitos a regras específicas sobre aviso, rescisão e continuidade das atividades/Foto: Amanda Oliveira/GOVBA

Segundo o conselheiro diretor do Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico (DEPMED), José Abelardo de Meneses, o cenário preocupa a entidade devido ao risco de desassistência provocado pela redução das equipes.

“Essa é uma situação que tem preocupado muito o Cremeb, sobretudo porque as demandas relacionadas à inadimplência dos honorários médicos vêm aumentando de forma significativa”, afirmou.

Ainda segundo o conselheiro, o atraso na remuneração pode afetar não apenas os profissionais, mas também a continuidade dos serviços oferecidos à população.

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No mesmo dia em que recebeu a denúncia, o Cremeb informou ter encaminhado ofícios ao subsecretário da Saúde do Estado da Bahia, Paulo Barbosa, ao superintendente da Superintendência de Atenção Integral à Saúde (SAIS), Karlos Figueredo, e ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).

Os documentos foram direcionados às promotoras de Justiça Rocío Garcia Matos, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde (Cesau), e Rita Tourinho, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Moralidade Administrativa (CAOPAM).

O que diz a Sesab

Em nota enviada ao Aratu On, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) afirmou que a assistência aos pacientes do Hospital Geral Roberto Santos permanece garantida e que não houve interrupção no funcionamento dos serviços.

A pasta também declarou que não recebeu solicitação formal de desligamento coletivo dos médicos e afirmou que as escalas seguem organizadas para assegurar a continuidade do atendimento.

A falta de pagamento pode levar profissionais a avaliar medidas administrativas e judiciais antes ou durante um processo de demissão. A situação pode envolver cobrança de valores, análise contratual e eventual responsabilização das partes/Foto: Manu Dias/GOVBA

Sobre os pagamentos, a Sesab disse que os valores devidos aos profissionais estão sendo realizados dentro dos prazos previstos nos contratos. A secretaria também informou que o pedido de reajuste dos valores dos plantões foi atendido, com aumento de 30% na remuneração.

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Ainda segundo a Sesab, todos os esclarecimentos sobre o caso já foram encaminhados formalmente ao Cremeb.

O Aratu On procurou a advogada Ana Caroline Amoedo para obter informações sobre o posicionamento do grupo em relação à negativa da Sesab sobre o desligamento e os direitos dos médicos envolvidos, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O caso poderá ser atualizado caso novos esclarecimentos sejam apresentados.

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