Robinson não crê em debandada de prefeitos com ida de Coronel para oposição

'Prefeitos não querem deixar apoiar dupla vitoriosa, Lula e Jerônimo, nas eleições de 2026', avaliou Robinson; Coronel deve ir para União Brasil

Por, João Tramm e Matheus Caldas.

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) crê que a iminente saída do senador Angelo Coronel (PSD) não deve ser revertida em debandada de prefeitos da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Presente nesta terça-feira (3) na abertura dos trabalhos de 2026 na Assembleia Legislativa, o petista indica que análises feitas pelo senador Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia, apontam que Jerônimo deve perder apoio de cinco prefeitos. Ele não citou quais seriam esses gestores.

Para Robinson, a previsão de Otto não deve se concretizar. “Acredito que seja menos, porque os prefeitos não querem deixar apoiar a dupla vitoriosa, Lula e Jerônimo, nas eleições de 2026”, avaliou Robinson.

Para o parlamentar, Coronel corre risco de cair no “ostracismo político”. “Espero que ele não tenha o mesmo destino de outros que fizeram essa opção equivocada no passado”, ironizou.

Na visão do deputado, a ida de Coronel para a oposição alivia tensão sobre a base governista. “É melhor um fim trágico do que uma tragédia sem fim. Já tínhamos dois anos com uma polêmica no interior da nossa base de quem seriam nossos candidatos ao Senado”, pontuou.

Assista entrevista com Robinson Almeida

Ida de Coronel para oposição

Jerônimo Rodrigues vem despistando sobre o desembarque do senador da base. Nesta segunda-feira (2), durante a festa de Iemanjá, em Salvador, o governador disse que não há encerramento oficial da parceria.

Em coletiva de imprensa, Jerônimo adotou um tom cauteloso e afirmou que, neste momento, Coronel ainda não é tratado como alguém fora da base governista. Segundo o governador, a condução do processo permanece no âmbito interno do PSD, sob a liderança do senador Otto Alencar, presidente estadual da legenda.

“Nós não encerramos esse processo ainda. Ainda está no âmbito do PSD. O senador Otto tem dirigido isso com tranquilidade, tentando achar uma saída para que a gente não possa perder ninguém. Não é interesse nosso. Mas, como está no âmbito do PSD, nós respeitamos a iniciativa individual do partido. [...] Estou fazendo um apelo para que o grupo não se desagregue”, disse o governador.

Jerônimo reforçou que não há interesse do governo em perder aliados, especialmente Angelo Coronel, e destacou que a condução do impasse cabe ao partido. De acordo com ele, o governo acompanha os desdobramentos respeitando as decisões internas da sigla.

Apesar do discurso conciliador, o governador confirmou que o tema já passou a integrar a pauta do núcleo político do governo. Jerônimo afirmou que pretende reunir o conselho político ainda nesta semana para avaliar os impactos de uma eventual saída de Coronel da base aliada.

“Enquanto grupo, enquanto conselho político, a gente precisa apreciar os acontecimentos. Vamos avaliar o que pode impactar dentro do nosso campo político”, afirmou.

O governador também destacou que a prioridade do grupo governista é manter a aliança com o PSD na Bahia, ressaltando o histórico de parceria administrativa e política com prefeitos, deputados estaduais e federais do partido.

Enquanto o processo se arrasta, a oposição corteja Coronel. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), defendeu o senador e afirmou que ele foi traído pelo PT.

Segundo o prefeito, a decisão de Coronel já estaria tomada e as tratativas com a oposição foram iniciadas. Bruno Reis afirmou ainda que partidos aliados demonstraram interesse em apoiar uma eventual candidatura do senador ao Senado.

“Tiraram o direito dele de disputar a reeleição, como fizeram com Lídice, João Leão, Pinheiro. A decisão está tomada por parte dele, de seguir o caminho dele e iniciar as tratativas conosco. A partir dessa semana, nós vamos discutir a forma. Muitos partidos da nossa base manifestaram o desejo de abrir as portas caso ele decida disputar a vaga ao Senado. Ele foi traído, ele é vítima nesse processo”, garantiu o gestor.

Ao comentar a atuação do PT na disputa pelo Governo do Estado, Bruno Reis fez críticas à condução política da legenda em relação aos aliados. “O PT suga o sangue dos aliados, dá aquele abraço de urso e depois descarta”, disparou o prefeito.

Angelo Coronel | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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