Médica é demitida de hospital após pedir que colegas não deem alta a petistas
Profissional atuava no setor de Ginecologia e Obstetrícia da unidade de saúde
Por Isabela Cardoso.
A médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo foi demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), nesta quinta-feira (8). A demissão foi confirmada pela própria unidade de saúde.

A profissional, que atuava de forma terceirizada na unidade, havia entrado em evidência após uma mensagem enviada em um grupo de médicos do hospital. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Marcella orientou os colegas a não conceder alta a pacientes petistas durante o fim de semana das eleições.
Na quarta-feira (7), o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara havia divulgado uma nota informando o afastamento da profissional. “A profissional foi afastada da escala e não retornará [às atividades]”, afirmou a unidade na ocasião.
Nesta quinta, o hospital informou que a situação havia avançado para a demissão da médica.
Mensagem em grupo de médicos motivou caso
O nome da médica passou a circular após a orientação enviada a um grupo de profissionais do hospital no dia 2 de outubro. Na mensagem, ela pediu que os colegas não concedessem alta a pacientes que fossem petistas durante o fim de semana das eleições.
"Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista", escreveu Marcella Segato no grupo, segundo prints divulgados pela TV Anhanguera.

Posicionamentos das instituições
A Maternidade Célia Câmara declarou que não adota posicionamento político-partidário. Em nota, a unidade afirmou que as mensagens enviadas pela médica representam manifestações pessoais e reforçou que decisões relacionadas à internação e à alta de pacientes devem seguir critérios clínicos.
Também em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) se posicionou e informou que as denúncias relacionadas à situação tramitam em sigilo. O órgão informou ainda que pediu esclarecimentos ao médico responsável pela instituição.
A apuração ocorre separadamente da decisão administrativa do hospital de afastar e posteriormente demitir a médica.
Médica diz que altas seguiram critérios clínicos
Em nota, a médica afirmou que nenhuma paciente teve alta atrasada ou negada por causa de preferência política e pediu desculpas às famílias e aos colegas. Marcella disse que as liberações de pacientes ocorreram exclusivamente com base em critérios clínicos, sem qualquer avaliação relacionada à preferência política.
A declaração foi feita após a repercussão das mensagens encaminhadas no grupo de médicos.
Não há confirmação de que pacientes tenham permanecido internados por orientação política. Nas conversas divulgadas, colegas reagiram às mensagens da médica com emojis, mas não é possível afirmar que algum profissional tenha seguido a recomendação.
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