Largo do Farol da Barra pode mudar de nome; saiba detalhes

Proposta apresentada à Prefeitura prevê a alteração do nome do Largo do Farol da Barra para homenagear policial militar

Por Liven Paula.

O Largo do Farol da Barra, em Salvador, pode mudar de nome. Um projeto de indicação encaminhado à Prefeitura sugere que o local passe a se chamar Soldado Wesley Soares Góes.

O Largo do Farol da Barra, em Salvador, pode mudar de nome. Um projeto de indicação encaminhado à Prefeitura sugere que o local passe a se chamar Soldado Wesley Soares Góes. | Foto: Reprodução

A solicitação é uma homenagem ao soldado da Polícia Militar que morreu no Largo da Barra, em 2021, após um surto psicótico, condição caracterizada pela perda de contato com a realidade. Na ocasião, Wesley protestava por maior valorização dos militares da Bahia.

Ainda de acordo com o pedido do deputado Dr. Diego Castro (PL), encaminhado ao prefeito Bruno Reis por meio da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), a homenagem simboliza respeito aos profissionais da segurança pública. O documento também destaca que “independentemente das circunstâncias que envolveram o ocorrido, fato é que o Soldado Wesley passou a integrar a memória coletiva da cidade de Salvador e da própria história contemporânea da Polícia Militar da Bahia”.

Relembre o caso do Soldado Wesley Soares Góes no Largo do Farol da Barra

No dia 28 de março de 2021, um domingo, o soldado Wesley Soares Góes, lotado na 72ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Itacaré, no sul da Bahia, estava em Salvador, no Largo do Farol da Barra. Ele chegou ao local de carro, fardado, e efetuando disparos para o alto. Em questão de minutos, o cenário de sol e tranquilidade se transformou em palco de um protesto silencioso e, ao mesmo tempo, assustador para quem estava no local.

Moradores, jornalistas, lojistas e frequentadores ficaram perplexos com a situação. O sentimento de revolta demonstrado por Wesley esbarrava diretamente em sua saúde mental, em um cenário que não é muito diferente do atual para muitos policiais baianos.

Sentimento de revolta demonstrado por Wesley esbarrava diretamente em sua saúde mental, em um cenário que não é muito diferente do atual para muitos policiais baianos.| Foto: SSP/ Alberto Maraux

Após algumas horas de tentativa de negociação com agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Wesley atirou várias vezes contra os policiais militares e foi baleado após os agentes revidarem. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos.

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Você sabe o que é um surto psicótico?

Quando o soldado Wesley Soares Góes saiu de Itacaré, no sul da Bahia, e chegou até o Farol da Barra, um dos pontos turísticos mais famosos de Salvador, empunhando uma arma e atirando para cima, ninguém entendeu o que estava acontecendo. Depois de aproximadamente três horas e meia de negociação, que teve um desfecho trágico, os agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) disseram que ele falava coisas desconexas, alterando momentos de lucidez com acessos de raiva, fatores que caracterizariam um surto psicótico.

A redação do Aratu On foi atrás de especialistas para entender o que é o surto, como identificá-lo e o que fazer para ajudar, caso você encontre um amigo nesta situação, por exemplo. Nenhum dos profissionais que conversou com nossos repórteres pôde avaliar o policial Wesley, portanto, as dicas são para situações gerais, envolvendo qualquer pessoa, e não estão ligadas especificamente ao quadro de saúde do PM, que só poderia ter sido definido por médicos ou especialistas que tivessem acesso a ele. 

CAUSAS

Você sabe o que é um surto psicótico Conseguiria identificá-lo Fique ligado, que o Aratu On explica para você. | Foto: Divulgação

"Se analisarmos a fundo a história individual do policial em questão, iremos, provavelmente, encontrar alguma correlação com pelo menos alguns aspectos como: hereditariedade genética, condição sociofamiliar precária, desigualdade social, situações de opressão, preconceito, rigidez, pressões profissionais e estressantes, entre tantas outras comuns na vida de um cidadão brasileiro comum desprivilegiado e pertencente às minorias. Dessa forma, é impossível que quem estivesse ao lado do policial, já não tivesse presenciado algo estranho", explica Kleber Marinho, psicólogo há mais de 20 anos.

Segundo o PhD em Ciências da Saúde nas áreas de Psicologia e Neurociências, Fabiano de Abreu, diversos fatores relacionados às condições psicológicas podem levar a um surto psicótico. Alguns deles são doenças hepáticas, hormonais e doenças que afetam de forma significativa o sistema imunológico. "Além disso, há causas relativas a disfunções graves nos neurotransmissores, e isso pode ser causado pelo abuso ou abstinência de substâncias químicas, medicamentos, lesões cerebrais, ou qualquer coisa que possa afetar o sistema nervoso central", detalha. 

COMO IDENTIFICAR

Abreu explica que, em casos de surto, existe uma espécie de 'falha' dentro do cérebro. “As pessoas costumam perder o contato com a realidade. Elas ficam com uma fixação exagerada em algo derivado do emocional, que impede o envio de informação para a região racional do cérebro. A pessoa fica presa em sua própria atmosfera e realidade, não percebendo as nuances ao seu redor, com falhas cognitivas. Se fecha em um estado perturbador, crítico, que pode resultar até mesmo na morte de alguém ou suicídio". 

No caso do policial, é possível lembrar que ele chegou a jogar bicicletas ao mar e derrubar os produtos vendidos por ambulantes no chão, atitudes que não se identificam com alguém que esteja em estado de equilíbrio emocional e racional. O especialista explica, ainda, que profissões como a de policial, que lidam com o estresse diariamente, correm mais riscos de protagonizar quadros de surto. "Policiais são mais propensos do que muitas outras profissões, devido à rotina e pressão que enfrentam. Eles estão sujeitos a alterações hormonais devido à falta de sono e ao estresse constante. A própria genética pode influenciar o surto, de acordo com o indivíduo", ressalva.

COMO AGIR

Durante toda a negociação, muitas pessoas reclamaram da falta de familiares de Wesley no Farol da Barra. O neurocientista, entretanto, acredita que esta não seja a melhor saída, seja para o caso de Wesley, seja para alguém que está em comprovado surto psicótico. "Uma pessoa com surto psicótico não pode ser confrontada ou sentir-se acuada. Não procure familiares, pois envolver sentimentos pessoais não fará a diferença, já que a pessoa está agindo de forma irracional. Deve-se chamar um serviço especializado em remoção para uma clínica especializada, para tratar do socorro e auxílio", reforça. 

TRATAMENTO

Aqui, tanto medidas preventivas quanto tratamentos no médio e longo prazo são vitais para resolver o problema. "Após um diagnóstico minucioso, realizado por especialistas de diferentes áreas do conhecimento, pode-se oferecer técnicas de tratamentos psicológicos e psiquiátricos, com uso de medicamentos que possam controlar o estado do indivíduo"

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