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Justiça proíbe entrega de título de cidadão de Salvador a Flávio Bolsonaro neste sábado

A Justiça da Bahia proibiu a Câmara Municipal de Salvador de realizar, neste sábado (17), a entrega do Título de Cidadão Soteropolitano ao senador

Por Bruna Castelo Branco.

A Justiça da Bahia proibiu a Câmara Municipal de Salvador de realizar, neste sábado (17), a entrega do Título de Cidadão Soteropolitano ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi assinada nesta sexta-feira (16) pela juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, e determina que a homenagem seja adiada para depois do encerramento definitivo das eleições de 2026.

A magistrada também suspendeu a transferência temporária da sede do Legislativo municipal para o Farol da Barra, onde a cerimônia estava prevista para as 15h. Em caso de descumprimento injustificado da ordem, foi estabelecida multa única de R$ 500 mil. A determinação deverá ser cumprida imediatamente após a intimação.

A Justiça da Bahia proibiu a Câmara Municipal de Salvador de realizar, neste sábado (17), a entrega do Título de Cidadão Soteropolitano ao senador. | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Na decisão, a juíza considerou que a realização da homenagem durante o segundo turno poderia transformar uma solenidade oficial em um evento de promoção de um candidato à Presidência da República. Também apontou que a mobilização de servidores, equipes de segurança, cerimonial e outras estruturas públicas para a cerimônia fora da sede da Câmara poderia gerar gastos desproporcionais e desnecessários.

Ação popular questionou concessão da honraria

A suspensão ocorreu após o questionamento judicial da homenagem. Uma ação popular apresentada pelo estudante Victor Jesus Queirós de Lima pediu que a entrega do título fosse suspensa. O autor argumentou que o projeto de concessão da honraria não detalhava atos, obras, projetos ou serviços concretos prestados por Flávio Bolsonaro a Salvador.

A ação também contestou a realização da cerimônia em meio à disputa eleitoral e a transferência da sede da Câmara para o Farol da Barra. Segundo o documento, a proposta poderia ter finalidade político-eleitoral e utilizar a estrutura e os recursos do Legislativo municipal para favorecer um ato de promoção política.

O autor apontou ainda um possível descumprimento do artigo 205 do Regimento Interno da Câmara, que exige uma biografia detalhada do homenageado e a relação circunstanciada dos trabalhos ou serviços realizados.

Como precedente, a ação citou uma decisão judicial de 2018 que suspendeu uma solenidade da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) para a entrega do título de doutor honoris causa ao então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento sustenta que o questionamento sobre a concessão de honrarias públicas não deve depender da posição política do homenageado, mas da finalidade do ato.

A determinação deverá ser cumprida imediatamente após a intimação. | Foto: Agência Brasil

Petição contra homenagem reuniu mais de 200 mil assinaturas

Além da contestação judicial, uma petição online que pede a revogação do título concedido a Flávio Bolsonaro reuniu mais de 200 mil assinaturas em três dias.

O texto afirma que o senador não representa adequadamente os valores e os interesses da população soteropolitana. Os organizadores também criticam a concessão de honrarias a figuras públicas cuja atuação política é alvo de controvérsias e pedem que as autoridades municipais revoguem a decisão.

O Título de Cidadão de Salvador é concedido a pessoas nascidas fora da capital baiana que tenham prestado serviços relevantes ao município.

Câmara aprovou homenagem em julho

A proposta de concessão do título a Flávio Bolsonaro foi apresentada pela Mesa Diretora da Câmara Municipal de Salvador por meio do Projeto de Resolução nº 28/2026, protocolado em 13 de abril. A concessão foi regulamentada pela Resolução nº 3.592/2026, publicada no Diário Oficial em 10 de julho.

Na justificativa da homenagem, foram citadas contribuições atribuídas ao senador para o fortalecimento de valores democráticos, institucionais e sociais, além de sua atuação em pautas como segurança pública e desenvolvimento econômico.

O vereador Cezar Leite (PL), que defendeu a homenagem e solicitou a transferência da sede da Câmara para o Farol da Barra, afirmou que a honraria reconhece a trajetória política do senador.

“Essa homenagem e a contribuição da Câmara é uma forma de valorizar personalidades com a trajetória, a atuação de Flávio Bolsonaro e sua defesa de pautas que interessam aos cidadãos, como a segurança pública e a economia”, afirmou.

O vereador Cezar Leite (PL), que defendeu a homenagem e solicitou a transferência da sede da Câmara para o Farol da Barra, afirmou que a honraria reconhece a trajetória política do senador. | Foto: Divulgação

A mudança temporária da sede do Legislativo para o Farol da Barra foi aprovada pelo plenário durante sessão ordinária. Na ocasião, o presidente da Casa, vereador Carlos Muniz (PSDB), disse que a decisão seguiu o regimento interno.

“Foi um pedido do vereador Cezar Leite, que só se deu após ser aprovado pelos pares em plenário. Agora é possível dizer que já está tudo certo para que aconteça. Nós aqui somos democráticos; o que a maioria decidir está decidido”, declarou.

Com a nova decisão judicial, a cerimônia prevista para este sábado não poderá ocorrer na data marcada. A homenagem deverá aguardar o encerramento definitivo das eleições de 2026.

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