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Jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA pertence a empresa ligada a investigado por corrupção

Baires Fly aparece em investigação sobre suspeitas de desvio de recursos da Agência Nacional de Discapacidade

Por Isabela Cardoso.

O jato executivo utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar da Argentina aos Estados Unidos pertence à Baires Fly S.A., empresa ligada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.

Empresário Sergio Mastropietro (direita) é ligado a Baires Fly  | Foto: Reprodução

A apuração envolve recursos da Agência Nacional de Discapacidade (Andis), órgão argentino responsável por políticas voltadas a pessoas com deficiência. A aeronave utilizada pelo senador é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW.

Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, a investigação apura a circulação de recursos que teriam origem em contratações irregulares de medicamentos e insumos para pessoas com deficiência. A apuração judicial identificou transferências de empresas fornecedoras para contas da Baires Fly, seguidas da emissão de notas fiscais por supostos serviços de aviação.

Um dos movimentos identificados pela Justiça argentina soma 95,06 milhões de pesos argentinos, transferidos em setembro de 2025 por duas empresas fornecedoras. A operação integra o conjunto de elementos examinados na investigação sobre possível lavagem de ativos.

Empresa aparece em investigação sobre a Andis

A apuração sobre a Agência Nacional de Discapacidade investiga suspeitas de irregularidades em contratos públicos para a aquisição de medicamentos e insumos destinados a pessoas com deficiência.

De acordo com informações publicadas pelo jornal argentino La Nación, o empresário Sergio Mastropietro teria atuado na movimentação de recursos por meio de empresas do setor de aviação. A investigação examina sua relação com o lobista Miguel Ángel Calvete e com fornecedores que teriam sido beneficiados por contratações sob suspeita. 

Em um dos episódios analisados, transferências bancárias realizadas por empresas fornecedoras foram seguidas pela emissão de notas fiscais da Baires Fly com valores correspondentes. Os documentos descreviam os serviços como compra de quilômetros de voo para utilização em aeronaves da empresa.

Para os investigadores, a sequência das operações pode indicar uma tentativa de conferir aparência legal aos recursos. A hipótese integra a apuração judicial e não deve ser confundida com uma condenação definitiva.

Em outubro de 2026, o veículo argentino Ámbito informou que Mastropietro havia sido processado na investigação por sua suposta participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso. 

Como o jato entrou na rota de Flávio Bolsonaro

O Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, decolou do aeroporto de Puerto Iguazú na madrugada de quarta-feira (28), após permanecer no terminal desde a noite de segunda-feira (26).

Segundo o portal argentino Infobae, a aeronave transportou Flávio Bolsonaro e familiares. O voo fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos. A rota evitou o espaço aéreo brasileiro. 

A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou a entrada de Flávio e de três familiares no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na noite de terça-feira (27). Segundo o órgão, o grupo embarcou posteriormente em um voo privado operado pela Baires Fly com destino declarado a Guayaquil. 

A viagem ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que o senador entregasse seus passaportes e o proibir de deixar o Brasil. A Polícia Federal havia informado o cancelamento dos documentos após o descumprimento da ordem judicial.

A ligação entre a aeronave e a empresa investigada na Argentina acrescenta um novo elemento ao episódio, embora não haja, nas informações citadas, indicação de que Flávio Bolsonaro seja investigado no caso Andis ou de que tenha relação com as suspeitas atribuídas a Mastropietro.

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