Nos EUA, Flávio Bolsonaro divulga carta, se diz "verdadeiro presidente" e ataca STF
Senador agradeceu a Donald Trump e Javier Milei, contestou o resultado das eleições e voltou a acusar ministros do STF de perseguição política
Por Victor Hernandes.
O candidato derrotado nas eleições à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a contestar o resultado das eleições presidenciais de 2026 em uma carta divulgada nesta quarta-feira (28). No documento, publicado após sua chegada aos Estados Unidos, o parlamentar se declara o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, critica decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e questiona a atuação da Justiça Eleitoral.

Na carta, Flávio agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade”. O senador também agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, por acolhê-lo nos Estados Unidos.
O parlamentar atribui ao ministro Cristiano Zanin, do STF, a diferença de votos conquistada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o primeiro e o segundo turno. A acusação, no entanto, não é sustentada pelos dados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral.
Flávio questiona decisão sobre horário de votação
Um dos pontos centrais da carta é a prorrogação do horário de votação em seções eleitorais que ainda estavam em funcionamento após as 17h. Flávio critica a medida e afirma que a decisão teria comprometido a regularidade do processo eleitoral.
“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”, diz um trecho do documento.
Os números oficiais, porém, mostram que 34.393 votos foram registrados depois das 17h. A prorrogação se aplicou às seções que ainda não haviam encerrado a votação, sem reabrir urnas já fechadas.
Senador acusa Alexandre de Moraes de perseguição
Flávio também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Na carta, o senador relaciona medidas judiciais envolvendo seus passaportes a um suposto plano de perseguição política e afirma que o ministro teria colocado em prática uma estratégia previamente elaborada.
O parlamentar ainda declara que Moraes “muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse”. As afirmações integram as acusações feitas pelo senador no documento e não comprovam, por si só, a existência de fraude eleitoral ou perseguição política.
Flávio nega que tenha fugido do país
Após deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos, o senador rejeitou a interpretação de que teria fugido. Na carta, ele afirma que a saída foi motivada pela intenção de continuar exercendo seu papel político fora do país.
“Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime”, escreveu.
A viagem ocorre em meio às críticas do senador ao STF e à contestação do resultado eleitoral. No documento, Flávio sustenta que pretende continuar atuando politicamente, enquanto acusa integrantes da Corte de restringir sua atuação e a de seus aliados.

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