Deputado do PT revela divergência na campanha de Lula e decreta: "Já está pacificada"
Em entrevista à Antena 1 Salvador, Lucas Reis demonstrou confiança na mobilização da Bahia e diz que divergências na campanha de Lula foram superadas
Por João Tramm.
A campanha de Lula para o segundo turno da eleição presidencial teve divergências internas sobre a estratégia de comunicação, mas os impasses já foram resolvidos, segundo o deputado federal eleito Lucas Reis (PT-BA). A fala foi feita em entrevista ao programa Linha de Frente, da rádio Antena 1 Salvador, o eleito está entre os parlametares mais bem votados no último domingo de eleições.
As discussões envolvem diferenças de opinião sobre o conteúdo e a forma das peças de comunicação, em meio a questionamentos sobre possíveis mudanças na estratégia eleitoral e à atuação do marqueteiro baiano Sidônio Palmeira. Para Lucas Reis, esse tipo de divergência faz parte da organização de uma campanha, especialmente na passagem para a etapa decisiva da disputa.
“Campanha é algo, sobretudo em segundo turno, que todo mundo quer ajudar. E aí uma opinião aqui, outra opinião aqui, tem uma divergência aqui. O que é que eu posso lhe garantir — e eu presenciei isso ontem: quem tem divergências sobre conteúdo, sobre forma, apresentou as divergências. Isso está pacificado”, declarou.

Campanha de Lula tem decisões concentradas no presidente, afirma deputado
Lucas Reis atribuiu ao próprio Lula a responsabilidade de avaliar as sugestões apresentadas pelos integrantes da equipe e definir os rumos da comunicação eleitoral. Na avaliação do deputado, a experiência política do presidente também pesa na condução das decisões para o segundo turno.
“O presidente Lula é o árbitro principal porque é o candidato, é o presidente da República, tem uma experiência, venceu três eleições, vai decidir o que vai ser feito, já decidiu provavelmente o que vai ser feito e nós vamos vencer a eleição”, enfatizou.
O parlamentar também comentou as dificuldades de reverter uma desvantagem no segundo turno. Ao abordar o tema, citou o histórico das eleições presidenciais e afirmou que Lula tem condições de superar mais um obstáculo político, com participação dos aliados na Bahia e no Nordeste.
“Uma pessoa muito amiga me disse assim: 'Poxa, Lucas, mas ninguém nunca foi atrás para o segundo turno e venceu'. Eu falei: 'É um tabu, né? Mas até 2022 ninguém tinha vencido um candidato à reeleição. Quem venceu? O presidente Lula. Quem tem condição para quebrar mais esse tabu é o presidente Lula e nós faremos isso, com ajuda massiva e fundamental mais uma vez da Bahia e do Nordeste'”, afirmou.
Reunião em Brasília reuniu parlamentares aliados
As conversas sobre a organização da campanha ocorreram durante uma reunião convocada por Lula, em Brasília, com integrantes da base aliada eleitos para o Congresso Nacional. Segundo Lucas Reis, o encontro inicialmente previsto para os 70 deputados do PT foi ampliado para incluir representantes do PSB e do PCdoB.
O deputado classificou a reunião como produtiva e disse que os participantes voltaram às atividades eleitorais logo após o encontro. Ele também destacou a intenção de mobilizar lideranças e eleitores baianos em favor da candidatura petista.
Lucas Reis agradece votação de 192 mil eleitores
“Quero usar inclusive esse primeiro momento para agradecer aos 192.080 baianos e baianas que foram às urnas no último domingo depositar esse voto de confiança na minha candidatura. Tô muito feliz. Trabalhei muito, viajei muito e meu compromisso é voltar a fazer isso a partir do início do mandato”, declarou.
Ele afirmou que pretende manter a presença nos municípios baianos e dar continuidade ao trabalho político após o início do mandato.
Deputado do PT critica apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro
Ao comentar a movimentação política na Bahia para o segundo turno presidencial, Lucas Reis criticou o apoio anunciado por ACM Neto (União Brasil) à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O parlamentar contestou a declaração do ex-prefeito de Salvador de que falaria em nome do quarto maior colégio eleitoral do país.
“Primeiro, ele não fala em nome do quarto maior colégio eleitoral porque ele é derrotado pela segunda vez, e dessa vez com mais de 1 milhão de votos nesse colégio eleitoral que ele diz falar em nome. Ele fala em nome de um grupo político derrotado liderado por ele por duas eleições”, afirmou.
Na avaliação do petista, o posicionamento de ACM Neto representa uma reação ao resultado da eleição estadual. Lucas Reis também relacionou a derrota do ex-prefeito ao desempenho de Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito governador da Bahia.
Assista à entrevista completa:
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