Acordo entre EUA e Irã prevê fim da guerra e reabertura de Ormuz

Acordo entre EUA e Irã pode encerrar o conflito entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo

Por Dinaldo dos Santos.

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciaram ter chegado a um acordo preliminar para encerrar o conflito entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. A notícia provocou uma queda nos preços internacionais do petróleo e impulsionou os mercados financeiros.

Acordo prevê fim da guerra entre EUA e Irã. Foto: Ilustração |  IA/ChatGPT

Acordo prevê fim da guerra entre EUA e Irã

Segundo publicação da Agência Brasil, o entendimento, que ainda precisa ser formalizado, representa o avanço mais significativo desde o início da guerra, desencadeada em fevereiro após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito já deixou milhares de mortos e provocou instabilidade no mercado global de energia.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou em sua rede social, Truth Social, que o acordo está concluído. A declaração ocorreu pouco depois de o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país atuou como mediador das negociações, também anunciar a conclusão das tratativas.

Ainda de acordo com a publicação, Sharif informou que o acordo prevê o encerramento imediato das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, um dos principais pontos de divergência nas negociações devido aos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah.

Em comunicado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que o cessar-fogo entrará em vigor a partir da noite desta segunda-feira (15). O memorando de entendimento deverá ser assinado oficialmente na próxima sexta-feira (19), na Suíça.

Apesar do anúncio, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as tropas israelenses permanecerão nas áreas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado. Ele também advertiu que qualquer ataque iraniano em resposta aos acontecimentos no Líbano será respondido "com toda a força".

As questões mais sensíveis, como o alívio das sanções econômicas contra Teerã e o futuro do programa nuclear iraniano, deverão ser discutidas durante um período de cessar-fogo de 60 dias, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi.

Reabertura do Estreito de Ormuz

Trump afirmou que o Estreito de Ormuz será reaberto na sexta-feira e anunciou o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. A passagem marítima é considerada estratégica para o abastecimento mundial de petróleo e gás e vinha sendo fortemente afetada pela crise.

Após o anúncio, os contratos futuros do petróleo Brent registraram queda de cerca de 4%, enquanto as bolsas asiáticas operaram em forte alta.

Foto: Ilustração | IA/ChatGPT

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou o acordo como um "avanço potencial" e afirmou que o bloco está disposto a colaborar para uma solução duradoura.

Nos Estados Unidos, a guerra vinha gerando desgaste político para Trump, em meio às preocupações com a alta dos preços dos combustíveis antes das eleições legislativas de novembro. Ao mesmo tempo, setores do Partido Republicano seguem pressionando por medidas mais rígidas em relação ao programa nuclear iraniano.

O senador republicano Lindsey Graham elogiou o acordo, mas afirmou que acompanhará de perto as próximas negociações sobre o tema nuclear, lembrando que qualquer novo entendimento envolvendo o programa atômico iraniano precisará ser analisado pelo Congresso norte-americano.

A questão nuclear permanece como um dos principais obstáculos diplomáticos entre os dois países desde que, em seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo firmado em 2015 entre o Irã e potências mundiais durante o governo de Barack Obama.

Desde então, Teerã ampliou significativamente seu programa de enriquecimento de urânio, elevando as preocupações internacionais sobre a possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares.

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