Um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia também poderá ser reverenciado no continente africano. A partir de setembro deste ano, o axé da Casa de Oxumarê será levado à terra ancestral de Xangô: a cidade de Oyó, na Nigéira. 

O atual líder do espaço religioso, Sivanilton Encarnação da Mata, o Babá Pecê, enviou dois representantes para a cidade para de resgatar o culto do Oxumarê em Oyó, além de levar elementos do candomblé baiano, como os instrumentos, vestimentas, canções e orações, para a África.

O templo será construído dentro dos padrões africanos, para não interferir no conjunto arquitetônico da cidade, porém o culto será realizado estritamente conforme a tradição religiosa preservada na Casa de Oxumarê, em Salvador, Bahia. Segundo Babá Pecê, o cuidado de realizar a cerimônia na tradição brasileira é também uma forma de afirmar a importância das heranças de culto da diáspora.

"É também um reconhecimento da África perante as tradições que foram transmitidas pelos nossos ancestrais africanos e preservadas na Bahia ao logo de séculos, apesar do contexto histórico de extrema opressão", disse o babalorixá.

Após a conclusão da obra, Babá Pecê e sua comitiva religiosa, composta pelos altos sacerdotes da Casa de Oxumarê, viajarão para Oyó a fim de realizar a cerimônia de assentamento definitivo do Orixá, que se manifesta por meio do arco-íris, a grande ponte entre o céu e a terra. A Casa de Oxumarê realizará, anualmente, uma cerimônia em louvor a Oxumarê, em Oyó, e um festival religioso a cada sete anos. Durante o ano o templo ficará aos cuidados dos sacerdotes de Xangô, uma vez que já não existem famílias de Oxumarê na cidade. 

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