E se você fosse capaz de saber o dia e a hora exata da sua morte, o que você faria? O aplicativo "A Hora da Sua Morte" realiza uma contagem regressiva para informar ao usuário quanto tempo resta de vida. 

A proposta veio depois do sucesso do filme que leva o mesmo nome, lançado em fevereiro deste ano no Brasil. Na trama, a personagem principal baixa um aplicativo para o celular chamado "Countdown". Depois da instalação, ela descobre que só tem dois dias de vida. O filme proporciona momentos de tensão e medo, fazendo o telespectador questionar se vale ou não a pena saber quando vai "bater as botas".

No aplicativo, para celulares IOS e Android, não é diferente. Com uma descrição rápida e objetiva, o app traz como imagem principal um bode com chifres, como símbolo da morte. "Sua contagem regressiva está aguardando. Este app vai prever exatamente quanto tempo te resta", diz a descrição. 

O software traz um alerta: "pode não ser recomendado para portadores de epilepsia", e explica que "possui vibrações, sons, música e usa a lanterna do celular para criar uma experiência de terror." Lembra ainda que tudo não passa de uma ficção e os "resultados não devem ser levados a sério".

A reportagem do Aratu On foi atrás de respostas. Os brasileiros já baixaram? O que leva uma pessoa a instalar um aplicativo desse teor? "Ele fica mostrando uma tela de contagem, depois começa a piscar o flash, apitar, piscar", disse uma usuária, que não se identifica. "É desesperador", afirmou ao Aratu On. Nos comentários dos usuários na página do aplicativo para Android, é possível ler muita "zoação" e até um pedido de ajuda para não morrer. 


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MOTIVO

Para a psicóloga Lizandra Oliveira, é importante filtrar o que a internet oferece aos usuários. Neste caso, segundo ela, esse aplicativo só vai trazer problemas mentais principalmente pelo momento pandêmico que o mundo está vivendo. "Vai aumentar a hipervigilância, a ansiedade e o medo ao entorno da temática da morte". "Pode funcionar como um gatilho, principalmente para pessoas que já estejam passando por um sofrimento psíquico".

A também psicóloga e especialista em saúde mental, Carine Chaves, chama atenção para dois grupos de clientes: os que acreditam nos números expostos pelo app, mesmo este alertando não ser real, e os que se sentem motivados a melhorar suas vidas levando os dados na brincadeira. "Os que levam a sério podem provocar reações danosas, desde o isolamento, desesperança ou até mesmo suicídio", informou. "E os que tentam melhorar seus hábitos e otimizar o seu tempo. Conseguimos identificar até mesmo nos comentários dos App aquelas pessoas que levam mesmo na brincadeira".

O aplicativo já conta com mais de 40 mil downloads e faz você refletir sobre a vida. 

*Sob supervisão do editor, Jean Mendes 

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