Preso pela polícia espanhola com 39 kg de cocaína num avião da comitiva de Jair Bolsonaro, o segundo-sargento e comissário de bordo da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, fez cerca de 29 viagens pelo Brasil e exterior desde 2011, muitas delas com a equipe presidencial. 

Mas, de acordo com a Folha de São Paulo, o deslocamento nem sempre era feito para acompanhar a agenda presidencial. O nome do militar foi divulgado nesta quarta-feira (26/6), pela imprensa espanhola. Rodrigues recebe salário bruto de R$ 7.298, segundo o Portal da Transparência, que lista o histórico das viagens.

O sargento integrava a tripulação de um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), de apoio à comitiva da viagem de Bolsonaro para o encontro do G-20 no Japão. Ele foi preso na cidade de Sevilha, por autoridades espanholas. Após a prisão do sargento, Bolsonaro mudou a rota de viagem. Ele iria de Brasília para Sevilha, na sequência, ia seguir viagem ao Japão. O presidente parou em Lisboa, capital de Portugal, como local de escala.

Em nota, a assessoria da Presidência afirmou que "o militar não trabalha na Presidência da República e não estaria na comitiva presidencial". "Ele pertence ao Grupo de Transportes Especiais da Força Aérea Brasileira e exerce função de comissário de bordo", diz o pronunciamento.

Em 27 de fevereiro deste ano, o sargento preso estava entre os militares que acompanharam Bolsonaro em uma viagem de Brasília à São Paulo para exames médicos. Entre os dias 18 e 20 de março, houve mais uma missão de transporte do escalão avançado da Presidência. 

O sargento embarcou em Brasília rumo a São Paulo, de onde seguiu para Porto Alegre. O avião fez novamente o trecho Porto Alegre-São Paulo-Porto Alegre, retornando para Brasília. Naqueles dias, Bolsonaro esteve nos Estados Unidos. Em 24 de maio deste ano, o militar fez bate-volta de Brasília a Recife, acompanhando o presidente, que passou todo o dia em Pernambuco. 

Ele também fez outros 14 roteiros entre 2016 e 2018, período de mandato de Michel Temer. Em janeiro do ano passado, Rodrigues estava no grupo que acompanhou o ex-presidente na Suíça para o Fórum Econômico Mundial. Houve também ao menos quatro missões quando o país era governado por Dilma Rousseff.  Em 6 de maio de 2016, o militar estava entre os seguidores da ex-presidenta, em viagem a Juazeiro do Norte (BA) e Cabrobró (PE) para visitar as obras de transposição do São Francisco. Em 2011, o sargento também foi designado para agendas de representantes do Itamaraty em Washington, nos Estados Unidos, e Saint John's, em Antígua e Barbuda, no Caribe.

"Apesar de não ter relação com minha equipe, o episódio de ontem, ocorrido na Espanha, é inaceitável. Exigi investigação imediata e punição severa ao responsável pelo material entorpecente encontrado no avião da FAB. Não toleraremos tamanho desrespeito ao nosso país!", disse Bolsonaro, no Twitter. O vice-presidente, Hamilton Mourão, qualificou como uma "mula qualificada" o sargento preso.

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