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Ação humana leva emissões de carbono na Amazônia a 1,8 bilhão de toneladas por ano, diz estudo

Pesquisa do Inpe identificou desmatamento e queimadas como principais fatores das emissões

Por Isabela Cardoso.

O desmatamento e as queimadas são os principais responsáveis pelas emissões de carbono na Amazônia, segundo um estudo liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A pesquisa analisou 15 anos de medições e identificou emissões anuais de até 1,8 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO₂).

Desmatamento e queimadas estão por trás das emissões de carbono na amazônia | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Publicado na revista científica Nature, o trabalho reuniu dados coletados entre 2010 e 2024 e comparou as emissões em diferentes condições climáticas e níveis de atividade humana. Os resultados indicam que a intensificação de ações como desmatamento e degradação florestal está associada ao aumento do carbono liberado pela região.

Os pesquisadores dividiram os anos analisados em três grupos, considerando as condições do tempo, a intensidade das atividades humanas e as emissões medidas. A comparação mostrou que os períodos com maior pressão humana sobre a floresta registraram volumes mais elevados de carbono emitido.

Desmatamento e queimadas elevam emissões na Amazônia

O primeiro grupo reuniu os anos de 2011 a 2014, além de 2017 e 2018, caracterizados por condições mais úmidas e baixa atividade humana, como desmatamento, queimadas e degradação. Nesse período, o balanço médio de carbono emitido foi de 408 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

O segundo grupo abrangeu os anos de 2019 a 2022, marcados por baixo estresse climático e intensificação das atividades humanas, principalmente desmatamento e degradação. A média anual de emissões chegou a 1,58 bilhão de toneladas de CO₂.

Amazônia

Já o terceiro grupo incluiu 2010, 2015, 2016, 2023 e 2024, anos quentes e secos, com alto estresse climático e intensificação das atividades humanas. Nesse conjunto, as emissões médias alcançaram 1,8 bilhão de toneladas de CO₂ por ano.

Segundo o estudo, os grupos dois e três não apresentaram diferenças significativas no volume de emissões, embora tenham características distintas.

“É importante notar que os grupos 2 e 3 não diferem significativamente em emissões de carbono, sendo ambos dominados pelo desmatamento e pela queima de biomassa, respectivamente”, destaca a pesquisa.

Secas amplificam os efeitos das atividades humanas

Embora o estresse climático não tenha sido identificado como fator decisivo para o aumento das emissões, os pesquisadores observaram que as secas podem ampliar a quantidade de carbono liberada por atividades humanas.

A combinação entre temperaturas elevadas, condições mais secas e pressão sobre a floresta intensifica os impactos ambientais. Por isso, os autores defendem que a redução dos incêndios é necessária para evitar que a Amazônia alcance um ponto de inflexão, quando mudanças no funcionamento do ecossistema podem se tornar difíceis de reverter.

“A redução drástica dos incêndios é, portanto, essencial para evitar um ponto de inflexão, especialmente porque o aumento do estresse climático amplifica os impactos humanos, e vice-versa”, afirmam os pesquisadores.

Queimadas na Amazônia Legal

Estudo identifica aumento da temperatura e redução das chuvas

Além das medições de emissões realizadas ao longo de 15 anos, a pesquisa ampliou a análise climática para um período de 46 anos. Os dados apontaram uma redução de 8% na precipitação média anual e uma queda de 20% no volume máximo de chuvas durante a estação seca, entre agosto e novembro.

No mesmo intervalo, a temperatura média anual aumentou 1,13 °C. Durante a estação seca, a elevação foi ainda maior, chegando a 1,81 °C.

Segundo os pesquisadores, o aquecimento ocorreu mesmo sem variação no grau de energia solar recebida e devolvida à atmosfera ao longo dos anos analisados. Os resultados reforçam a preocupação com os efeitos das atividades humanas sobre o clima e o equilíbrio ambiental da Amazônia.

O estudo, intitulado Amazon carbon emissions driven by human actions amplified by droughts (Emissões de carbono da Amazônia causadas pelas ações humanas e amplificadas pelas secas), foi assinado por Luciana Gatti e outros 32 pesquisadores. Esta é a quarta publicação de pesquisa liderada pela cientista na revista Nature.

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