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10/12/2018 13h45 | Atualizado em 10/12/2018 15h50

“Ministro da Justiça não interfere em casos concretos”, diz Moro sobre Coaf

“Ministro da Justiça não interfere em casos concretos”, diz Moro sobre Coaf

“Ministro da Justiça não interfere em casos concretos”, diz Moro sobre Coaf Foto: Agência Brasil
Da Redação

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou nesta segunda-feira (10/12) que não é função dele interferir em casos concretos. A afirmação foi feita ao ser questionado sobre como enxerga o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que indica movimentações financeiras atípicas por parte de um ex-motorista de Flávio Bolsonaro, senador eleito e filho do futuro presidente, Jair Bolsonaro (PSL).

?Eu fui nomeado ministro da Justiça, não cabe a mim dar explicações sobre isso. Eu acho que o que existia no passado de um ministro da Justiça opinando sobre casos concretos é inapropriado. Então, esses fatos têm de ser esclarecidos” disse Moro. “O presidente [Bolsonaro] já apresentou alguns esclarecimentos. Tem outras pessoas que precisam prestar seus esclarecimentos e os fatos, se não forem esclarecidos, têm de ser apurados. Mas eu não tenho como ficar assumindo esse papel. O ministro da Justiça não é uma pessoa para ficar interferindo em casos concretos?, declarou.

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De acordo com o relatório do Coaf, o ex-motorista e segurança de Flávio, Fabrício Carlos José de Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Hoje ligado ao Ministério da Fazenda, o Coaf é o órgão responsável por monitorar e receber informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. Pela lei, os bancos devem informar qualquer transação que não siga o padrão financeiro do cliente, o que não indica necessariamente alguma irregularidade.

O Coaf foi informado das movimentações de Queiroz pelo banco porque a instituição avaliou que são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar. Segundo a folha de pagamentos da Alerj de setembro, Queiroz recebeu R$ 8.517 de remuneração, ganho que acumulava com rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar.

O relatório também cita que foram encontradas na conta transações envolvendo dinheiro em espécie, embora Queiroz exercesse uma atividade cuja “característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso”.

Uma das transações citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ao comentar o cheque, Jair Bolsonaro disse que o valor fazia parte do pagamento de um empréstimo feito a Queiroz e que ele mesmo havia pedido que o dinheiro fosse depositado para a mulher.

Na reestruturação de ministérios planejada pela equipe de transição, o Coaf deverá passar a integrar o Ministério da Justiça. Na avaliação de Moro, o órgão estava ?em boas mãos?, mas sofreu ?certa desidratação? por falta de verbas e recursos humanos. A intenção com a transferência do Coaf para a Justiça, disse, é reforçá-lo com quadros funcionais da pasta e deixá-lo mais próximo a operações de combate à corrupção.

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Fonte: UOL